Creatus est homo ad hunc finem,
ut Dominum Deum suum laudet,
revereatur, eique serviens tandem salvus fiat.

(O homem foi criado para este fim:
louvar, reverenciar, servir ao Senhor seu Deus,
e assim salvar a sua alma. Exercícios, Sto. Inácio, vol.I)

sábado, 12 de setembro de 2009

EM FÁTIMA – LIBERTAÇÃO E CONVERSÃO

De entre os que, de boa ou má fé, saem da Santa Igreja Católica Apostólica Romana para se passarem às heresias protestantes, só Deus e Nossa Senhora sabem porque fui chamado à graça sem par da conversão.
Tudo quanto eu posso afirmar é que a minha boa e saudosa mãe chorava e rezava por mim! Era uma mulher muito piedosa e foi fiel como uma verdadeira cristã. Eu tentei levá-la enganada ao «culto» da minha seita. Ela, porém, tendo percebido logo do que se tratava, repeliu sem remissão a heresia. Mas não abandonou a minha alma! Com fé, voltou-se então para a oração persistente e confiante. No seu trabalho caseiro e pelos caminhos, rezava o «terço» continuamente. De certo, as suas lágrimas e orações subiram ao Céu, comovendo o Coração da Mãe das mães!
«O Espírito sopra aonde quer» e a graça de Deus é invencível. Assim foi dominado este encarniçado hereje pela bondade e poderosa intercessão de Nossa Senhora, alcançando-me de Seu Divino Filho a salvação e a paz.
E foi numa daquelas peregrinações que eu tanto amaldiçoava, organizada por almas generosas e cheias de fé, e que assim foram, de certo modo, recompensadas!
Continuando a minha história, chego ao ponto em que me encontrei empregado na Sociedade de Vinhos do Porto Constantino. Os meus patrões, Srs. Fernando Moreira de Almeida e Fernando Maria Guedes de Almeida, seu filho, são pessoas sinceramente religiosas.
Em Junho de 1953, resolveram levar todo o Pessoal, por conta da Casa, em peregrinação a Fátima, no dia 13. quanto a mim, aceitei a ideia radiante, tanto mais que «o passeio» (como eu lhe chamava a rir...) era de graça. E formei logo um plano: espalharia a minha propaganda herética no seio da própria peregrinação! Tencionava exercer nos meus companheiros toda a influência contrária à Fé Católica que eu pudesse. Ao mesmo tempo, de tudo o que visse na Cova da Iria, esperava encontrar motivo para depois «pregar» contra Fátima. Estava seguro do êxito dos meus maus propósitos e, portanto, incorporar-me-ia muito satisfeito na peregrinação.
Ora, Deus escreve direito por linhas tortas!...
Como preparação, houve uns dias de pregações por um Religioso Franciscano.
Ouvi dizer, nessa ocasião, que «ninguém vai a Fátima com as mãos vazias». Mal imaginava eu, que zombava escarninho de tudo aquilo, que as havia trazer, de facto, cheiinhas a transbordar!...
Como é costume, partimos no dia 12. Fomos percorrendo os lugares já consagrados, como Santa Maria de Alcobaça e Santa Maria da Vitória, «a Batalha». Estes dois templos grandiosos foram erguidos pela fé dos nossos Antepassados e são o assombro de todos quantos visitam. Aquelas pedras gloriosas exaltam os feitos patrióticos e a perseverante Fé Católica da Nação Portuguesa, sempre unida às maiores e mais puras glórias. Porém, eu sentia-me desligado da Fé e, portanto, da História da minha Pátria... e foi ali mesmo que, pelo contrário, eu senti mais ao vivo o meu fanatismo demoníaco e protestante, e assim o demonstrei. Olhava para o que me rodeava com desdém e raiva. E, na ânsia de amesquinhar todos aqueles belos e eloquentes testemunhos da nossa Fé secular, criticava tudo com acinte desprezo, escarnecendo de quanto ali representa a Santa Religião em que nasceu Portugal.
Ria-me e fazia rir os meus companheiros deprevenidos, ou sem convicções firmes. Outros, porém, aborrecidos com a minha atitude, afastavam-se ou ameaçavam queixar-se aos nossos chefes, o que, aliás por bondade, não fizeram.
Mas eu é que não podia calar!
Conforme, depois, íamos subindo a montanha bendita de Fátima e eu avistava os cruzeiros da Via-Sacra, enchia-me de tremenda fúria contra o sinal da cruz.
Na camioneta, sem me calar um momento, continuava sempre com a propaganda escarninha e demolidora. Tentava por todos os meios tirar aos meus companheiros a pouca ou muita fé com que eles se aproximavam do lugar abençoado da Visitação de Nossa Senhora a Portugal e ao Mundo!
Chegámos ao Santuário pelas vinte horas. As nossas camionetas pararam junto da Praceta de São José. Logo ali apareceu um rapzazinho a apregoar «velinhas». Então, no meio de muita galhofa, comprei uma, que havia de ficar memorável!...
Em seguida ao jantar, todos nos reunimos ao Sr. Fernando Moreira de Almeida e sua Ex.ma Esposa, a Sr.a D. Maria Leonor, ambos Servitas de Nossa Senhora. M éramos mais de duzentas pessoas, com as nossas famílias. Eles aguardavam junto da Capelinha das Aparições para distribuirem gratuitamente as velas aos que as quisessem.
Entretanto, principiou a reza do «terço».
Eu continuava, agora em voz baixa, a zombar de tudo. O locutor do Santuário anunciou que se ia formar a procissão. Os carrilhões da Basílica guiavam o povo nos lindo cânticos de Fátima. Apareceram as primeiras luzinhas trémulas e, daí a pouco, era um mar de luz que alastrava!...
Eu estava convencido de que Fátima era uma mentira. Não podia sequer imaginar o que ali via gora com os meus olhos espantados! Fiquei furioso contra a multidão dos Fiéis. Tinha ânsias de desatar a descompor e a correr à pancada dali para fora toda aquela gente! A minha raiva crescia e subia como maré viva. Quando ouvi anunciar a saída do andor com a Imagem de Nossa Senhora de Fátima, comecei a tremer de violenta e mal contida ira.
De repente, avistei-a! Julguei enlouquecer de ódio! É indiscritível o furor que então me assaltou. Parei louco de raiva! Terríveis blasfemeas saíram da minha boca por entre os dentes cerrados. Fechei os punhos convulsos e encarei-a com verdadeiro e satânico ódio pessoal. De certo, já fui contido pelo poder divino e, só assim, não me atirei a ela para a desfazer com as mãos e os dentes, como diabólicamente me apeteceu!
O Inferno odeia Nossa Senhora! Para ele é a Inimiga desde o Princípio (Gen.3,15). Naquele lugar Ela é a vencedora, aclamada em todo o Mundo, desta grande Batalha de Deus, que é Fátima no nosso tempo apocalíptico! A Mulher bendita - «terrível como exército em ordem de batalha» - ali veio trazer a Mensagem que, mais uma vez, congrega os Filhos de Deus para o Bom Combate, vivificando a Fé, renovando a Esperança e tudo abrasando na Caridade.
Outrora o Povo Escolhido devia ver nas imagens de ouro dos Querubins (mandadas colocar por Deus na Arca da Aliança) o símbolo da reverência devida à Glória do Altíssimo, manifestada do meio das asas estendidas (Ex.25, 18-22).
Certamente que, na branca imagem da Virgem Mãe do Messias – Arca da Nova Aliança – o Inimigo há-de ver o sinal da Presença, na Glória de Seu Filho, d’Aquela que, por Ele, lhe esmaga a cabeça.
E naquele terrível instante terá sido, então, pressentida a grande e próxima derrota que lhe ia ser infligida pelo poder misericordioso da Senhora, porque aqueles momentos foram realamente demoníacos e medonhos. Eu atingira a curva máxima do meu ódio!
Quando deles me lembro, ainda sofro!
Bendita seja Nossa Senhora que nos perdoou tão generosamente! Bendita seja!
Entretanto, obedecendo à voz do locutor, a procissão ia-se formando e nós começámos a caminhar todos juntos. Os meus companheiros trataram de acender as suas velas.
Com os nossos bons patrões à frente, seguíamos perto do andor. Era um espectáculo comovente! Mas eu, raivoso de despeito, não cessava de escarnecer e rir. Para evitar de dar nas vistas do meu chefe, resolvi divertir-me e acender também a minha luz, dizendo sempre mil graçolas blasfemas. Voltei-me, pois, para um dos meus colegas e acendi na dele a minha vela.
E começou aqui o prodígio:
No mesmo instante em que, depois de acesa, a endireitei, ela apagou-se de repente! Pedi a outro e tornei a acendê-la, risonho e irónico. Num ápice, voltou a apagar-se.
Comecei então a teimar muito divertido, terceira, quarta e quinta vez, mas já um tanto enervado... contudo, continuava a rir e a galhofar, dizendo que «se calhar eu fora burlado e a minha vela não era igual à dos outros!» Pois se, de cada vez que eu a acendia, via brilhar a chama muito viva, e em seguida extinguir-se, de súbito, misteriosamente! Era mesmo como se apagassem! Que significava aquilo?!
O tempo estava sereno e eu, olhando à minha volta e junto de mim, avistava ao longe e ao perto as velas acesas de toda aquela multidão, que brilhavam na noite como estrelinhas em prece. Ah! Mas eu não desisteria!
Querendo mostrar-me forte e seguro, apesar de as mãos me tremerem um pouco, ria-me e teimava sempre! Comecei assim a pedir lume a uma e outra das pessoas que passavam ao meu lado a cantar, comas as suas velinhas a brilhar.
Enquanto eu parava um instante para acender a minha luz – e ela se apagava de maneira tão insólita! – os meus companheiros já iam longe...
E eu sempre a acender a minha vela! E ela a apagar-se inexplicávelmente! Parecia que lhe sopravam!
Perdi a conta do número de vezes que a acendi e vi extinguir-se de forma tão extranha a chama viva! Despeitado e escarninho, teimei enquanto pude. Por fim, já não me ria... pois principiei a reparar, desconfiado e espantado, que afinal, aquilo só a mim acontecia!
Do fundo da minha consciência parecia querer subir um aviso silencioso...
Precisamente quando eu começava a sentir-me abalado, aconteceu o pior: todo o meu corpo foi como que «aprisionado», sacudido por um estremeção e trespassado por frio de morte. Ao mesmo tempo, começou a correr-me da cabeça aos pés um copioso e gelado suor!
Assombrado e aterrado, deitei as mãos à cabeça: tinha os cabelos duros, inteiriçados e em pé! Perguntava a mim mesmo, transido de pasmo, o que seria aquilo?! Só então, no meio de grande perturbação, é que desisti de acender a minha vela.
Na maior ansiedade, procurei com um olhar aflito os meus companheiros, para me ajuntar a eles e buscar amparo. Avistei, lá longe, o andor branco da Senhora... Lembrei-me logo de que eles deviam ir ali pertinho d’Ela! Quis ir também!...
Mas foi então que experimentei o maior terror da minha vida: assim que este pensamento salvador despertou na minha mente, caiu sobre mim, bem em cima dos meus ombros, um «peso» insuportável! Eu queria ir... mas, conforme levantava um pé (ou tentava levantá-lo) para caminhar ao encontro de Nossa Senhora, o terrível «peso» era cada vez maior e, com incrível força, prendeu-me ao chão! Todo a tremer, banhado em suores frios, com a língua enrolada dentro da boca endurecida, sentia-me sucumbir debaixo daquele medonho «peso» e aprisionado num laço implacável. Ao mesmo tempo, todo o meu ser, físico e intelectual, era trespassado por uma indiscritível e pavorosa agonia!
Cheio de terror, quis gritar. Julguei mesmo que gritava a pedir socorro, mas ninguém me ouvia, nem via o que me estava a acontecer! Eu ficara ali, no meio de tanta gente, «aprisionado» e «mudo»!...
A procissão era um sereno rio de luz, na noite escura e branda. Os peregrinos, com velas acesas diante dos rostos felizes, passavam rezando e cantando, com os olhos postos na suave Imagem da Senhora das pombas brancas... Desviam-se pacientemente de mim e continuavam sempre em frente!
E eu a debater-me, ali, angustiado, a lutar desesperadamente na minha pobre alma prisioneira, para me libertar daquela «prisão»! o meu sofrimento era atroz! Nunca me esquecerei. Ainda hoje estremeço quando nele penso! Posso afirmar que sentia e ouvia ranger os meus ossos. Tais eram os esforços sobre-humanos que fazia para me mexer e livrar daquela terrível prisão. Mas uma «força» incrível chumbava-me ao chão! E tudo foi inútil!
Não pude alcançar Nossa Senhora no seu andor branco e florido!
Jamais encontrarei as palavras próprias para dar uma pálida ideia do que sofri e do meu terror naqueles momentos!
Contudo, e apesar disso, eu ainda blasfemava, agora só em pensamento, porque não podia falar.
Debatendo-me naquela medonha alição e esmagado sob o insólito «carrego», comecei por fim a lembrar-me vagamente de que aquilo tudo podia ser castigo...
Mas, então, é porque eu estava enganado e ali é que se encontra a VERDADE?!
Teimosamente resisti a este salutar pensamento! Apeguei-me com desespero aos erros antigos e ao desprezo que aprendera a sentir no protestantismo pela Mãe do Senhor!
E, no meio desta espantosa luta, esforçava-me em vão por fugir! Essa era a minha ânsia. Fugir dali!
Mas como, se eu estava «preso» e esmagado debaixo daquele «carrego» insuportável? Raciocinava, mas não era senhor dos meus movimentos. Oh! Que pavorosos momentos.
Lá longe, voltada agora de frente para mim, Nossa Senhora regressava em triunfo e rodeada de veneração e amor, à sua humilde Capelinha...
E foi então que senti, de súbito, que uma força poderosa e incrível me fazia virar para a Basílica, impelindo-me para a frente! Conheci que podia, enfim, fugir «àquilo» que pesava como chumbo sobre os meus ombros! fugir,gora só em pensamento, porque não podia falar.
Debatendo-me naquela medonha aflição e esmagado sob o insólito «carrego», comecei por fim a lembrar-me vagamente de que aquilo tudo podia ser castigo...
Mas, então, é porque eu estava enganado e ali é que se encontrava a VERDADE!?
Teimosamente resisi a este salutar pensamento! Apeguei-me com desespero aos erros antigos e ao despreezo que aprendera a sentir no Protestantismo pela Mãe do Senhor!
E, no meio desta espantosa luta, esforçava-me em vão por fugir! Essa era a minha ânsia. Fugir dali!
Mas como, se eu esva «preso» e esmagado ddebaixo daquele «carrego» insuportável? Raciocinava, mas não era senhor dos meus movimentos. Oh! Que pavorosos momentos!
Lá longe, voltada agora de frente para mim, Nossa Senhora regressava em triunfo e rodeada de veneração e amor, à sua humilde Capelinha...
E foi então que senti, de súbito, que uma força poderosa e invencível me fazia virar para a Basílica, impelindo-me para a frente! Conheci que podia, enfim, fugir «àquilo» que pesava como chumbo sobre os meus ombros! Fugir, alcançar um refúgio, libertar-me! Comecei a andar...
Tomando de grande aflição, vi-me a atravessar o Santuário... mas, conforme me aproximava da Basílica – ia para lá como que conduzido, sem pensar nem querer! – o meu andar tornava-se mais fácil...
Ao chegar à escadaria já a pude subir quase a correr. Meti como uma seta pela Basílica dentro, sempre a direito, como levado por vigoroso e irresistível impulso, e szó parei diante do Altar-mor, do lado do túmulo do Francisco, onde caí, enfim, de joelhos! Ali fiquei longos minutos, todo trémulo, com olhar vago, sem saber onde estava.
Poré, aquele horrível «peso» e aquela estranha «prisão» mostravam agora uma espécie de fraqueza... soltava-se-me a língua e eu balbuciei algumas palavras enquanto começava a ter consciência de tudo o que me rodeava e do que via...
E foi então que os meus pobres olhos dilatados de angústia... depararam com a bendita imagem da Senhora, ao lado do Altar. Súbitamente lúcido, fitei-A assombrado... e, (não me atrevo a afirmá-lo!) pareceu-me que a via sorrir-se para mim! E esse instante fiquei livre e completamente mudado.
Sim, foi nesse minuto de graça que eu senti a alma liberta do véu espesso do erro e o corpo daquela «prisão» maligna. Num relance dera-se o prodígio... apesar do meu ódio protestante contra as santas imaggens! A lição é digna de ser meditada...
A tremer, comovido, eu não tirava o olhar deslumbrado dAquele «Sinal» da misericórdia divina, sentindo que nascia de novo. Agora, o meu coração era manso e humilde, e eis que a orgulhosa cerviz do hereje se abatera diante d’Aquela que tanto desprezara e que todas as gerações aclamarão Bem-aventurada, pois o Omnipotente obrou n’Ela grandes maravilhas (c.f. Luc.1,48-49)
Ali, diante do Santíssimo Sacramento, e pelo poder e bondade de Nossa Senhora, terminou aquela temerosa batalha em que eu me sentiria como que disputado por duas forças e, por fim, ganho pela mais poderosa.
é certo que eu tinha ainda muito que sofrer! Porém, tudo o que depois me aconteceu e eu conto adiante, já não conseguiu vencer-me. Não passou duma nova tentativa, que afinal se transformou num «aguilhão» salvador.
Aquele foi, sem dúvida, o momento culminante da monha conversão.
Depois de libertado, eu só tinha um desejo: alcançar o perdão da Senhora!
Com a alma trespassada pela graça divina e iluminada por uma luz sem par, vi, dolorosamente contrito, quanto havia odiado, blasfemado e ofendido a Mãe do Senhor e nossa Mãe! Ai de mim! Não encontro palavras para contar a minha dor! Com os olhos rasos de lágrimas e as mãos erguidas para a Sua doce imagem, cheio de temor e arrependimento, comecei a dizer à Soberana Rainha do Rosário de Fátima:
«Oh! Nossa Senhora!! Oh! Senhora de Fátima! Eu odiei-Te durante muitos anos. Agora sei que tenho andado enganado. Aqui estou a pedir-Te perdão de tudo, e de quanto disse na viagem e na procissão das velas. Mas como hei-de pedir-Te perdão? Como posso merecer que me perdoes?!»
Era eu próprio que, medindo pelo passado a minha culpa, me julgava indigno do Seu perdão!
Lágrimas irreprimíveis corriam-me pelas faces esmaecidas. Eu até falava alto na minha dor e no meio daquela boa gente, toda ocupada na sua devoção... e já habituada aos prodígios de Fátima! Em dado momento, atemtei nos dizeres da placa de mármore sobre o t´´umulo de Francisco e assim fiquei a conhecer. Vi que muitas pessoas ali rezavam, acendendo as suas velinhas e logo me lembrei da que ainda conservava na mão. Receoso e comovido, acendia-a também... Vendo-a brilhar, fui colocá-la a um canto, no túmulo do Pastorinho...

E ali fiquei a vê-la arder, agora tão sereninha e viva como as outras!
Voltei-me freverosamente para FRancisco e pus-me a rezar com muita fé:«Roga a Nossa Senhora que me perdoe, porque para sofrimento já chega!(Eu ligava, por intuição os factos e referia-me ao tormento pavoroso que passara com aquela terrível «prisão» e mortal agonia). Eu não sei se terei perdão, mas tu bem sabes que tenho três filhos por baptizar! (O mais velhinho ainda fora baptizado na Santa Igreja, mas os três últimos «baptizara-os» na seita. Naquele momento eu sentia que esse baptismo nada valia...). Tenho também de resolver a minha situação casando-me!» («casara-me na seita...). Aflito e ansioso suplicava-lhe que me ajudasse e, na minha perturbação, cheguei a pedir-lhe:«Olha, se ando bem (no protestantismo) deixa-me andar! Mas se não ando, como agora sei, então faz com que eu não possa descansar enquanto não voltar aqui o mais depressa que poder, já para o mês que vem.»
Naquele momento, confusamente, eu pressentia um perigo e tinha receio da minha fraqueza e medo do meu passado...
Por isso eu rezava com tanto ardor e mal podia reprimir o pranto. Abalado até ao fundo da minha alma, era agora outro homem. Com devoção dei a minha esmolinha e guardei um cravo das flores com que os fiéis cobriam o túmulo do Pastorinho.
Ignorando o túmulo da Jacinta e sem saber como, também lá fui ter e ali vi a placa com o seu nome. Pedi-lhe da mesma forma o que rogara ao irmão, deixando-lhe também uma esmolinha...
voltei depois para junto do FRancisco e para ali fiquei a ver a minha vela arder até ao fim... aquela mesma vela!!
Sentia-me pouco consolado depois destes pequenos gestos de devoção... Ah! quem poderá avaliar o milagre duma conversão à Fé Católica, vindo-se do protestantismo - das suas negações, dos seus erros e de todos os seus preconceitos?! Só os que experimentaram!
Finalmente acabei por deixar a Basílica. Fui direito à humilde Capelinha de Nossa Senhora. E ali estive muito tempo, abrindo e deixando falar o coração contrito como podia...
É inútil tentar descrever em línguagem humana os meus sentimentos naquele humilde e maravilhoso lugar: a Capelinha das Aparições.
Nossa Senhora, Mãe benigna e Soberana Rainha, de certo, tudo compreendeu e compassiva recebeu de mim!
Nosso Senhor, que é Pai de misericórdia, é também Justo Juiz e «dará a cada um segundo as suas obras». Eu tal me atrevia a levantar os olhos para o Céu, conhecendo agora quanto fora infiel a Deus, renegando a Sua Igreja e odiando a Sua Santíssima Mãe - pelo que daria estreitas contas! Ai! o que eu não teria feito, como simples homem, àquele ou àqueles que fizessem à minha mãe e dela dissessem metade! - do que eu fizera e dissera da excelsa Mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo! E Ele é um Filho infinitamente melhor do que eu, Ele é Deus - cujo 4.º Mandamento nos manda honrar Pai e Mãe!
Mas agora eu punha a minha esperança nessa Mãe bendita e poderosa que tanto desprezara! O Senhor me julgará! Mas a Senhora é Sua Mãe e minha Mãe - sómente e sempre Mãe! Oh! consoladora certeza!
Seu Divino Filho me acolheria então pela sua poderosa intercessão, visto que eu fora por Ela libertado. Humuilde e arrependido penitente, ali permaneci suplicando e recebendo o Seu auxílio, sob o doce e entristecido olhar de Nossa Senhora de Fátima. Quando já não podia mais, deixei a custo a Capelinha. Lentamente, passando pelo Monumento ao Sagrado Coração de Jesus, comecei a subir a imensa esplanada, por onde há pouco descera a caminho da libertação.
Chegado ao cimo, sentei-me, esvaído, na balaustrada de pedra. Dali, pus-me a olhar a Basílica coroada pela cruz luminosa, e as luzes das velas que rasgavam a noite - símbolos da Fé que dissipa astrevas do erro...
Decorria, fervorosa e recolhida, a Hora de penitência e adoração a Jesus na Divina Eucaristia. «É esta vigília propiciatória que prepara os prodígios do dia 13. (Disse um orador sagrado durante a meditação dos Mistérios do Terço, naquele mesmo lugar). Ah como eram felizes aqueles fiéis católicos (portugueses e estrangeiros de todo o Mundo!) unidos à volta do Pão Vivo da Unidade, na Casa do Pai!
Sob o olhar atento e intercessor da Mãe - Família de Deus! - humildes e grandes, oravam por eles e pelo «mundo» que os desdenha, ali, no Altar do Mundo!
Encostei a minha pobre cabeça a um dos altos candeeiros. Sentia-me completamente exausto, como um homem que acabava de atravessar duma grande tempestade. Sozinho naquele lugar solitário, assombrado com tudo o que me acontecera, comecei doloridamente a meditar e a recordar...
Ai! Como onda alterosa que se abate sobre a praia deserta, assim o passado e a minha blasfema atitude na viagem e na procissão das velas, se abateram sobre «o meu coração contrito e humilhado».
e, então, não me envergonho de o confessar aqui, chorei e solucei de dor e arrependimento. Chorei com temor e remorsos, desabafando e aliviando a minha pobre alma, agora esvaziada de tqanto mal!
Doces e abençoadas lágrimas! Deus seja louvado por mas ter concedido!
E bendita seja Nossa Senhora por mas ter alcançado!

Sem poder desfitar a Basílica e a mística cerimónia que lá adiante se desenrola, e da qual eu não me julguei digno - murmurava cheio de espanto e dor:«Ai! Nossa Senhora, o que eu fui! Ai! o que eu tenho feito!»
Agora que tudo conhecia, egrande o meu temor... Mas, afoguei naquelas lágrimas contritas o desespero que tentava apoderar-se de mim!
Por volta das três horas da madrugada, sentindo-me muito fraco e tendo terminado uma Hora de adoração, levantei-me e dirigi-me para a camioneta. Descansei o corpo junto dos meus companheiros adormecidos. O corpo, digo bem, porque o espíirito só mais tarde conheceria o repouso e a paz...
Às seis da manhã começou o movimento do Dia 13. Fui direito à Basílica, sentindo-me atraído para junto dos Pastorinhos. Mas lembrei-me de que a nossa peregrinação assistira a uma Missa por alma do Sr. António Moreira de Almeida, que fora meu patrão também. Vim por isso procurar os meus camaradas. E fiquei timidamente à porta da Capela do Hospital, onde a Missa era celebrada... Tive, porém, de sair logo, sufocado pela comoção, e dar um volta até me dominar: Ouvira dizer que levantassem a mão os que queriam confessar para comungarem...
Eu não me atrevi, eu não podia!
Retive ainda o meu segredo... nem sei bem porquê! Por isso tanto sofri depois!
Terminado o Santo Sacrifício, todos foram almoçar alegremente. Só eu não conseguia! Isolava-me e fugia..., Parecia-me que, se abrisse a boca, mesmo só para comer, as lágrimas que me enchiam o coração, transbordariam.
Depois, enquanto decorreram as tão famosas cerimónias da Peregrinação oficial, eu ia ora da Capelinha para a azinheira, ora ia à Basílica e voltava. Inquieto, dorido e perturbado, quase não dei verdadeiramente conta do que via, até começar a comovente «Procissão do Adeus». Percebi, então, que era o fim daquela peregrinação inesquecível do dia 13 de Junho de 1953!
Fitava com os olhos rasos de água o mar branco dos lenços e acenar, enquanto seguia com um olhar comovido e já saudoso a doce Mãe de Deus e dos Homens...
Dor, amor, remorso, alegria, saudade que não mais passou!... tudo isto se misturava e me pungia o coração.
Tirei também o meu lenço, mas ão ousei acenar `Senhora... só enxuguei as lágrimas com ele.
Ah! Aquelas extraordinárias horas da véspera à noite, e aquela radiosa e bendita manhã, ficaram para sempre gravadas na minha alma! Para sempre!

OH Santa e poderosa
Mãe de Deus e dos Homens,
Nossa Senhora de Fátima!
Sede bendita pela vossa
Bondade e Clemência!
Vós que sois o Auxílio dos Cristãos,
Rogai por nós
E pelos nosso inimigos!
Convertei, ó Mãe! os nossos
«Irmãos separados»
E os que buscam a Deus
Por caminhos errados!

E louvado seja o Omnipotente pelas Grandes Maravilhas que em Vós obrou!

iIII SINGULAR CAPÍTULO

Pode parecer que a história da minha milagorsa conversão esteja terminada. Contudo, ela ficaria incompleta sem este capítulo singular...
Por amor da verdade tenho coragem e fé para nada omitir. só assim será completo o testemunho aqui dado.
Seja tudo para glória de Deus e louvor da Mulher-Bendita entre todas as mulheres - que esmaga a cabeça do Inimigo.
***
Na camioneta, os meus companheiros, quando me viram, puseram-se a soltar mil exclamações, dizendo que eu «parecia um desenterrado»! Tal era, na verdade, a palidez cadavérica do meu rosto desfigurado...
Pelo caminho, estranharam pasmados o meu silêncio e recolhimento, a contrastar tanto com o barulho e a dissipação maligna que eu fazia e provocara à ida.
É que eu já não era o mesmo! Mas escondia de todos o meu segredo. Dizia-lhes, então, que nem dormira, nem comera mais nada desde o jantar da chegada... E era verdade, porque eu não pudera! Mas só Deus sabia o que me ia na alma!
Eu vinha abismado e como que esvaziado...
Cheguei a casa à uma da madrugada. Logo que a minha companheira me abriu a porta, abracei-me a ela sufocado pela comução. Às suas perguntas aflitas respondi: «Ai! o que nós fizemos! Olha que temos andado enganados, não sabes o que me aconteceu em Fátima! Lá é que eu vi como nos enganaram e nós enganámos tanta gentinha com uma falsa religião!» E então contei-lhe tudo. Ela, assombrada e também mortificada, começou a chorar comigo. Mas, apesar da sua aflição, sentiu-se aliviviada e disse-me estas palavras: «Eu bem te dizia no princípio! Eu só fui depois (para o protestantiismo) fiada em ti e para te acompanhar. Mas bem me custou! Ai ! os filhos que ainda temos por baptizar! (lembrou-se ela logo)! Ai! os pecados que temos feito!»
Perguntámos agora o que havíamos de fazer. Pensávamos no nosso passado; tínhamos de desdizer tudo quanto ali havíamos propagado com todas as nossas forças, com escândalo do próximo e tanto desgosto das nossas famílias.
E os nossos pobres companheiros de heresia, que diriam quando soubessem? Éramos conhecidos como ferrenhos protestantes! E por quantos simples e ignorantes eu fora escutado e seguido para a heresia!
Por fim, fatigado, acabei por adormecer...

Principia aqui a segunda parte extraordinária da minha gloriosa conversão.

Sim, o primeiro curto sono dormi-o bem...
Mas, alta madrugada, acordei e levantei-me. Logo em seguida voltei a deitar-me e estava, portanto, completamente lúcido, quando senti com grande nitidez e intensidade o que vou tentar descrever: começava a aconchegar-me para, de novo, chamar o sono; de súbito, tive a esquisita impressão de que alguém, de mansinho, punha um pé no colchão, e a nítida sensação deste ceder, afundando-se de leve... como se subissem para a cama..
No mesmo instante, um arrepio gelado percorreu-me o corpo e os cabelos inteiriçados puseram-se-me em pé.
Ai de mim! Aterrado, logo o percebi!... Estava «aprisionado» outra vez, tal como em Fátima, sentindo-me completamente dominado e preso na mesma lançada asfixiante! Tentava aflito bater com os pés (que julgava livres) no fundo da cama. Não podia soltae o menor som através da garganta apertada por aquela «força» implacável. Fazia esforços desesperados para me livrar da «prisão» invisível que me sufocava. Mas tudo era em vão, porque eu não conseguia mover um só músculo, nem chamar!
De repente, fiquei livre! saiu-me então da gargantaa um brado medonho, que despertou a minha companheira. Assustadíssima, ela olhava para mim varada de espanto e interrogava-me aflita. Eu respondi-lhe assim:«Foi como em Fátima! O mesmo carrego, eu mal podia respirar»!
Estava lívido, trémulo e banhado num suor de agonia. Mal pude repousar uns minutos porque, quando a fadiga começavaa a prostrar-mee, voltei a suportar a «ofensiva» ainda uma outra vez!
Oh! que noite angustiosa! E na seguinte, também não escapei! Inexplicávelmente passei a terceira noite descansado. Porém, na quarta, estando ainda acordado e a conversar muito animado, dei, nitidamente e de súbito, pela «chegada»... Antes de ter tempo de formular um pensamento ou balbucilhar uma prece, eis que senti a leve pressão, o colchão ceder e logo o gélido arrepio. Os cabelos punham-se-me em pé e eu ouvia ranger a cama, que abanada toda com o tremos que me trespassava! «Preso» e »mudo» debatia-me aflitivamente e em grande sofrimento. Eram uns instantes de atroz agonia! Eu pensava que morria, e certamente assim teria acontecido, se aquilo durasse mais uns minutos!
No momento próprio, sempre à noite e estando já deitado, todo o meu ser, físico e espiritual, pressentia a «chegada» que, embora invisível, era perfeitamente sensível. Às vezes, mxia-me, agitava-me instintivamente e parecia afugentar... Mas logo sentia que voltava, surrateiramente, e então era «apanhado» num instante!
Quando ficava livre, saía-me da garganta aquele rouco e pavoroso brado, que nem parecia humano...
E todas as noites, até 11 de Julho seguinte,, travei aflitivamente o mesmo «combate»!
Eu e a minha companheira andávamos passados de temor e aflição. Não acabámovamos de sair do nosso espanto! Escondíamos de toda a gente o que acontecia, sem coragem para o contar a quem quer que fosse. Vivíamos enleados e confusos. Entretannto, os dias iam correndo... de forma que eu não me decidia a completar a obra da graça recebida em Fátima.
Submerso naquela confusão e perturbado, retraía-me e não caminhava para diante, covertendo-me de vez.
Noite após noite aconteceu o mesmo!
E eu ia ficando em ponto morto...
Por último, até já nem sentia medo ao aproximarem-se aqueles momentos aflitivos, como no princípio. Conformado e cansado, quando pressentia a «chegada», dizia apenas: «Aí vem...» E vinha, na verdade!
No entanto, não tínhamos paz. Eu sofria! Emagrecera muito, andava pálido e de rosto cadavérico . Quando a noite caía, para mim, era de verdadeiras trevas.
Quando padeci, Santo Deus!
Parecia que se escondera, sob nuvens sombrias e carregadas, aquele sol de liberdade e novas claridade que sobre mim brilhara em Fátima...

IV A «PEDRSA»....


certa manhã, porém, após uma noite tormentosa, quando eu sentia que já não aguentaria por muito tempo com vida, todas as noites, tal horror - veio-me uma grande vontade de agir!
Entour na minha alma, contorbada e tão doente, uma inesperada coragem e uma força invencível.
Levantando-me logo, resolvi, de súbito, ir contar tudo ao meu patrão.
Abençoada hora! Fixei bem aquela data - 29 de Junho!
Nas coisas Deus não há «acasos»...
Aquela manha não era uma qualquer...
Além de ser Domingo - o Dia do Senhor Ressuscitado - era a Festa de São Pedro!
A PEDRA sobre a qual Cristo fundou a Sua Igreja - Una Santa, Católica, Apostólica, Romana também chamada, porque em Roma se fixou a Sede de Pedro e seus sucessores, cabeça visível da Cristindade.
A Liturgia exalta nesse dia, especialmente, o Apóstolo -Chefe: Pois foi a Pedro que o Senhor Jesus entrgou as «Chaves do Seu Reino» e o Poder de «ligar e desligar» perpetuado nos seus Sucessores e na Igreja. Foi também a São Pedro - e só ele! - que Nosso Senhor confiou solenemente e por três razões todo o Seu Rebanho.
Assim o constituiu Pastor dos Pastores e dos Cordeiros, e nos seus Sucessores, até à consumação dos séculos.
Por S. Pedro - e só por ele! - rezou Cristo em pessoa, para o confirmar na Fé, e só a S. Pedro mandou que confirmasse os outros Apóstolos.
E quando?! Segundo as próprias palavras do Senhor, quando Satanás os quis «joieirar» como trigo (Luc.22, 31-32)
Era o dia da festa do primeiro Papa!...
Para um ex-protestante, tudo isto parece ter profundo e singulaer significado!...

Nesse dia, pos, «levantei-me» e comecei verdadeiramente a regressar a Casa de Nosso Pai, que há muito esperava o Filho pródigo.
Não há «acasos» para Deus, repito.
Nesse mesmo dia também me veio à memória, com vívia lembrança, o ferveroso pedido - estranho naquele momento! - que, com uma espécie de ansioso pressentimento do que depois aconteceu, eu fizera aos Pastorinhos: que me não deixassem descansar, enquanto eu não mudasse de vida e não voltasse ali por todo o próximo mês!
É que pesava sobre mimm muita coisa ruim e tão antiga! quem sabe se eu, passados os primeiros dias sobre os prodígios de Fátima, teria coragem de romper as fortes amarras que me prendiam ao passado? Teria eu correspondido à graça de libertação recebida de Nossa Senhora, se não fosse submetido ao aguilhão do sofrimento? Duvido de mim mesmo! Só Deus o sabe! Ora, aquela «prisão» foi transformada em «estímulo» e a derrota aparente tornou-se afinal uma vitória bendita!

Naquele Dia de São Pedro, levantando-me, pois, resolutamente, quebrei as peias que me enleavam. Fim um embrulho com a biblia protestante, os livros e folhetos de propaganda herética, e dirigi-me ansioso a casa do meu Patrão...
Mas, a prova não terminara ainda...
Soube, consternado, que ele estava para fora. Voltei tristemente sobre os meus passos. Retomei mais uma semana de trabalho... e de sombria luta. Quanto sofri!

Contudo, Deus seja louvado! - certamente pela graça recebida na festa de S. Pedro, preserverei na determinação que me veio nessa ocasião.

Por isso, voltei logo no Domingo seguinte. Recebido com muito carinho por ele e por sua Esposa, contei-lhes como pude e soube, resumidamente, a minha singular história. Expu-lhes a ânsia que tinha agora de mudar de vida o mais depressa possível e de coompltar a minha conversão!
Os meus patrões escutaram-me comovidos. Logo ali se resolveram a tratar de tudo e ajudaram-me, telefonando ao então Vice-Reitor do Seminário, Sr. Dr. Moreira Rocha, para que na Secretaria do Paço Episcopal fosse concedida, com toda a urgência, a dispensa de Banhos e a documentação necessária, a fim de partirmos para Fátima.
Regressei a casa mais aliviado...
À noite, porém, agora com menos intensidade, continuei a suportar a «ofensiva» teimosa.
Todas as noites!
Mas a hora do Poder das Trevas havia passado...
Eu iria firmar-me na Pedra (Pedro) e na «coluna e firmamento da verdade», que é a Igreja, como ensina São PAulo (1TIm,3,15).
chegou finalmente o dia da nossa total conversão - 13 de Julho de 1953.
Na véspera partimos com os nossos filhinhos para Fátima, onde j´+a nos esperavam os nossos bons patrões.
nessa mesma tarde tivemos uma longa e bondosa conversação com o sr. Padre João Cabeçadas, acerca do nosso passado e dos factos aqui relatados.
A ele fizemos a nossa confissão, no meio de grande confiança, sentindo a seguir consolador alívio. então, desceu sobre nós o Pedrão de Deus, pelos méritos do Sangue do Redentor. E ficámos finalmente em paz! Seja louvado Nosso Senhor Jesus Cristo!
à noite, já nos incorpoorámos, com as nossas velinhas acesas, na impressionante procissão das veças e participámos na fervorosa Vigília eucarística, reconciliados com Deus e a Sua Igreja.
E passei tranquilamente o resto da noite, a primeira sem luta há tantas semanas!
vencera a Rainha da Paz!

no dia 13 celebrou-se o nosso casamento com alegria e comungamos com alegria o verdadeiro Corpo e Sangue do Senhor. depois foram baptizados os nossos três filhos mais novos.
as nossas testemunhas no sacramento do matrimónio , e padrinhos das crianças no baptimos foram os srs. Fernando Moereira de Almeida e sua Esposa, e a Sra. D. Maria Teresa Nunes da Ponte.
Bem hajam de Desu por tudo!
A felicidade que então sentimos só poderão avaliar bem os nossos que já andaram perdidos e foram encontrados. a minha mulher e eu regressámos à verdade, à fé una da Santa Igreja Católica Apostólica Romana, em que nascemos e na qual já nasceram nossos pais e os pais dos nossos pais. que nossa Senhora nos guadre de nos alcance de nosso Senhor Jesus Cristo, Seu Filho, a Graça da Perseverança, pois lembro-me daquela Palavra em que o Salvador nos fala dos que depois de libertados do mal, voltam a cair nele e, então, «o último estado daquele homem torna-se pior que o primeiro» (S. Mat.12,43-45).
Há um só Deus, por isso também há um só Baptismo e uma só Fé verdadeira, afirma a Bíblia Sagrada e ensina firmeente a Igreja à vinte séculos. Só o orgulho, a ignorância e a cegueira espiritual podem impedir-nos de chegarmos a esta verdade tão simples.
Por isso, rogo aos que esta narrativa lerem que rezem por mim, para que eu persevere até ao fim.
Vou todos os anos a Fátima chorar de alegria e gratidão junto de nossa Mãe do Céu. Se me fosse possível, iria lá todos os meses! Talvez até lá ficasse para sempre... (Assim aconteceucom um convertido inglês, antigo teólogo e «pastor» protestante. Escreveu já vários livros sobre Fátima, entre os quais «Soou a hora»! foi traduzido para português.).
A minha alma ali renasceu de novo!
Quando posso, acompanho pela Rádio-Renascença, da qual, como católico, sou associado, todos os seus programas religiosos. As retransmissões de Fátima, nos dias 13 de MAio/Outubro, comovem-me profundamente.
Basta-me ouvir o Ave do início das transmissões da nossa Emissora Carólica, para que os meus olhos se humedeçam de saudade e ternura.

Em 1956 A Voz do Pastor (órgão da Diocese do Porto), a Voz da Fátima e a Rádio-Renascença referiram-se resumidamente à minha conversão.
Logo de vários lados surgiram dúvidas e negativas e foram pedidos nomes e pormenores. Então, maior se tornou a ânsia, que há muito trazia no peito, de dar testemunho - pormenorizado e testemunhado - de quanto se passou comigo.
Só agora, neste 40.º ano das Aparições de Nossa Senhora em Fátima, e por providencial desígnio, este intento se tornou realidade.
Ouso esperar que a Misericórdia divina se digne servir-se desta confissão sincera para ajudar a libertar outras almas.
Os dons de Deus devem ser manifestados para que todos O conheçam e assim Portugal seja fiel à Verdadeira Fé. Se nela preservarmos, praticando-a na nossa vida nacional e particular, seremos abençoados pelo Altíssimo. E a nossa Rainha e Padroeira continuará a proteger o extraordinário e total Renascimento de Portugal (Basta reflectir nestes três últimos decénios, pelas crises atravessadas pelos benefícios recebidos equivalentes a séculos.» Sua Santidade Pio XII, 13 de Maio 1946, na Coroação de Nossa Senhora de Fátima.) e guardará a nossa Paz: testemunhos do «Milagre de Fátima», que é a Esperança do Mundo moderno.
Ora os milagres são a divina assinatura da Verdade. O Sacerdote que em nome de Deus nos absolveu exultou de alegria, dizendo que esta conversão era deveras extraordinária, entre as muitas e tão grandes realizadas em Fátima.

LOUVOR, POIS, A NOSSA SENHORA DE FÁTIMA
RAINHA DAS GRANDES MARAVILHAS DE DEUS
AO QUAL SEJAM DADAS TODA A HONRA
E TODA A GLÓRIA PELOS SÉCULOS SEM FIM. AMEN.


Porto, Cidade da Virgem, dia das Santas Chagas, 13 de Fevereiro de 1957.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Milagre em Fátima - Parte II

II – EM FÁTIMA – LIBERTAÇÃO – 12 e 13 de Junho de 1953

De entre os que, de boa ou má fé, saem da Santa Igreja Católica Apostólica Romana para se passsarem às heresias protestantes, só Deus e Nossa Senhora sabem porque fui chamado à graça sem par da conversão.
Tudo quanto eu posso afirmar é que a minha boa e saudosa mãe chorava e rezava por mim! Era uma mulher muito piedosa e foi fiel como uma verdadeira cristã. Eu tentei levá-la enganada ao «culto» da minha seita. Ela, porém, tendo percebido logo do que se tratava, repeliu sem remissão a heresia. Mas não abandonou a minha alma! Com fé, voltou-se então paea a oração persistente e confiante. No seu trabalho caseiro e pelos caminhos, rezava o «terço» continuamente. De certo, as suas lágrimas e orações subiram ao Céu, comovendo o Coração da Mãe das mães!
«O Espírito sopra aonde quer» e a graça de Deus é invencível. Assim foi dominado este encarniçado hereje pela bondade e poderosa intercessão de Nossa Senhora, alcançando-me de Seu Divino Filho a salvação e a paz.
E foi numa daquelas peregrinações que eu tanto amaldiçoava, organizada por almas generosas e cheias de fé, e que assim foram, de certo modo, recompensadas!
Continuando a minha história, chego ao ponto em que me encontrei empregado na Sociedade de Vinhos do Porto Constantino. Os meus patrões, Srs. Fernando Moreira de Almeida e Fernando Maria Guedes de Almeida, seu filho, são pessoas sinceramente religiosas.
Em Junho de 1953, resolveram levar todo o Pessoal, por conta da Casa, em peregrinação a Fátima, no dia 13. quanto a mim, aceitei a ideia radiante, tanto mais que «o passeio» (como eu lhe chamava a rir...) era de graça. E formei logo um plano: espalharia a minha propaganda herética no seio da própria peregrinação! Tencionava exercer nos meus companheiros toda a influência contrá´ria à Fé Católica que eu pudesse. Ao mesmo tempo, de tudo o que visse na Cova da Iria, esperava encontrar motivo para depois «pregar» contra Fátima. Estava seguro do êxito dos meus maus propósitos e, portanto, incorporar-me-ia muito satisfeito na peregrinação.
Ora, Deus escreve direito por linhas tortas!...
Como preparação, houve uns dias de pregações por um Religioso Franciscano.
Ouvi dizer, nessa ocasião, que «ninguém vai a Fátima com as mãos vazias». Mal imaginava eu, que zombava escarninho de tudo aquilo, que as havia trazer, de facto, cheiinhas a transbordar!...
Como é costume, partimos no dia 12. fomos percorrendo os lugares já consagrados, como Santa Maria de Alcobaça e Santa Maira da Vitória, «a Batalha». Estes dois templos grandiosos foram erguidos pela fé dos nossos Antepassados e são o assombro de todos quantos visitam. Aquelas pedras gloriosas exaltam os feitos patrióticos e a perseverante Fé Católica da Nação Portuguesa, sempre unida às maiores e mais pouras glórias. Porém, eu sentia-me desligado daFé e, portanto, da História da minha Pátria... e foi ali mesmo que, pelo contrário, eu senti mais ao vivo o meu fanatismo demoníaco e protestante, e assim o demonstrei. Olhava para o que me rodeava com desdém e raiva. E, na ânsia de amesquinhar todos aqueles belos e eloquentes testemunhos da nossa Fé secular, criticava tudo com acinte desprezo, escarnecendo de quanto ali representa a Santa Religião em que nasceu Portugal.
Ria-me e fazia rir os meus companheiros deprevenidos, ou sem convicções firmes. Outros, porém, aborrecidos com a minha atitude, afastavam-se ou ameaçavam queixar-se aos nossos chefes, o que, aliás por bondade, não fizeram.
Mas eu é que não podia calar!
Conformee, depois, íamos subindo a montanha bendita de Fátima e eu avistava os cruzeiros da Via-Sacra, enchia-me de tremenda fúria contra o sinal da cruz.
Na camioneta, sem me calar um momento, continuava asempre com a propaganda escarninha e demolidora. Tentava por todos os meios tirar aos meus companheiros a pouca ou muita fé com que eles se aproximavam do lugar abençoado da Visitação de Nossa Senhora a Portugal e ao Mundo!
Chegámos ao Santuário pelas vinte horas. As nossas camionetas pararam junto da Praceta de São José. Logo ali apareceu um rapzazinho a apregoar «velinhas». Então, no meio de muita galhofa, comprei uma, que havia de ficar memorável!...
Em seguida ao jantar, todos nos reunimos ao Sr. Fernando Moreira de Almeida e sua Ex.ma Esposa, a Sr.a D. Maria Leonor, amos Servitas de Nossa Senhora. M éramos mais de duzentas pessoas, com as nossas famílias. Eles aguardavam junto da Capelinha das Aparições para distribuirem gratuitamente as velas aos que as quisessem.
Entretanto, principiou a reza do «terço».
Eu continuava, agora em voz baixa, a zombar de tudo. O locutor do Santuário anunciou que se ia formar a procissão. Os carrilhões da Basílica guiavam o povo nos lindo cânticos de Fátima. Apareceram as primeiras luzinhas trémulas e, daí a pouco, era um mar de luz que alastrava!...
Eu estava convencido de que Fátima era uma mentira. Não podia sequer imaginar o que ali via gora com os meus olhos espantados! Fiquei furioso contra a multidão dos Fiéis. Tinha ânsias de desatar a descompor e a correr à pancada dali para fora toda aquela gente! A minha raiva crescia e subia como maré viva. Quando ouvi anunciar a saída do andor com a Imagem de Nossa Senhora de Fátima, comecei a tremer de violenta e mal contida ira.
De repnte, avistei-a! Julguei enlouquecer de ódio! É indiscritível o furor que então me assaltou. Pareia louco de raiva! Terríveis blasfemeas saíram da minha boca por entre os dentes cerrados. Fechei os punhos convulsos e encarei-a com verdadeiro e satênico ódio pessoal. De certo, já fui contido pelo poder divino e, só assim, não me atirei a ela para a desfazer com as mãos e os dentes, como diabólicamente me apeteceu!
O Inferno odeia Nossa Senhora! Para ele é a Inimiga desde o Princípio (Gen.3,15). Naquele lugar Ela é a vencedora, aclamada em todo o Mundo, desta grande Batalha de Deus, que é Fátima no nosso tempo apocalíptico! A Mulher bendita - «terrível como exército em ordem de batalha» - ali veiotrazer a Mensagem que, mais uma vez, congrega os Filhos de Deus para o Bom Combate, vivificando a Fé, renovando a Esperança e tudo abrasando na Caridade.
Outrora o Povo Escolhido devia ver nas imagens de ouro dos Querubins (mandadas colocar por Deus na Arca da Aliança) o símbolo da reverência devida à Glória do Altíssimo, manifestada do meio das asas estendidas (Ex.25, 18-22).
Certamente que, na branca imagem da Virgem Mãe do Messias – Arca da Nova Aliança – o Inimigo há-de ver o sinal da Presença, na Glória de Seu Filho, d’Aquela que, por Ele, lhe esmaga a cabeça.
E naquele terrível instante terá sido, então, pressentida a grande e próxima derrota que lhe ia ser infligida pelo poder misericordioso da Senhora, porque aqueles momentos foram realamente demoníacos e medonhos. Eu atingira a curva máxima do meu ódio!
Quando deles me lembro, ainda sofro!
Bendita seja Nossa Senhora que mos perdoou tão generosamente! Bendita seja!
Entretanto, obedecendo à voz do locutor, a procissão ia-se formando e nós começámos a caminhar todos juntos. Os meus companheiros trataram de acender as suas velas.
Com os nossos bons patrões à frente, seguíamos perto do andor. Era um espectáculo comovente! Mas eu, raivoso de despeito, não cessava de escarnecer e rir. Para evitar de dar nas vistas do meu chefe, resolvi divertir-me e acender também a minha luz, dizendo sempre mil graçolas blasfemas. Voltei-me, pois, para um dos meus coleas e acendi na dele a minha vela.
E começou aqui o prodígio:
No mesmo instante em que, depois de acesa, a endireitei, ela apagou-se de repente! Pedi a outro e tornei a acendê-la, risonho e irónico. Num ápice, voltou a apagar-se.
Comecei então a teimar muito divertido, terceira, quarta e quinta vez, mas já um tanto enervado... contudo, continuava a rir e a galhofar, dizendo que «se calhar eu fora burlado e a minha vela não era igual à dos outros1» Pois se, de cada vez que eu a acendia, via brilhar a chama muito viva, e em seguida extinguir-se, de súbito, misteriosamente! Era mesmo como se apagassem! Que significava aquilo?!
O tempo estava sereno e eu, olhando à minha volta e junto de mim, avistava ao longe e ao perto as velas acesas de toda aquela multidão, que brilhavam na noite como estrelinhas em prece. Ah! Mas eu não desisteria!
Querendo mostrar-me forte e seguro, apesar de as mãos me tremerem um pouco, ria-me e teimava sempre! Comecei assim a pedir lume a uma e outra das pessoas que passavam ao meu lado a cantar, comas as suas velinhas a brilhar.
Enquanto eu parava um instante para acender a minha luz – e ela se apagava de maneira tão insólita! – os meus companheiros já iam longe...
E eu sempre a acender a minha vela! E ela a apagar-se inexplicávelmente! Parecia que lhe sopravam!
Perdi a conta do número de vezes que a acendi e vi extinguir-se de forma tão extranha a chama viva! Despeitado e escarninho, teimei enquanto pude. Por fim, já não me ria... pois principiei a reparar, desconfiado e espantado, que afinal, aquilo só a mim acontecia!
Do fundo da minha consciência parecia querer subir um aviso silencioso...
Precisamente quando eu começava a sentir-me abalado, aconteceu o pior: todo o meu corpo foi como que «aprisionado», saudido por um estremeção e trespassado por frio de morte. Ao mesmo tempo, começou a correr-me da cabeça aos pés um copioso e gelado suor!
Assombrado e aterrado, deitei as mãos à cabeça: tinha os cabelos duros, inteiriçados e em pé! Perguntava a mim mesmo, transido de pasmo, o que seria aquilo?! Só então, no meio de grande perturbação, é que desisti de acender a minha vela.
Na maior ansiedade, procurei com um olhar aflito os meus companheiros, para me ajuntar a eles e buscar amparo. Avistei, lá longe, o andor branco da Senhora... Lembrei-me logo de que eles deviam ir ali pertinho d’Ela! Quis ir também!...
Mas foi então que experimentei o maior terror da minha vida: assim que este pensamento salvador despertou na minha mente, caiu sobre mim, bem em cima dos meus ombros, um «peso» insuportável! Eu queria ir... mas, conforme levantava um pé (ou tentava levantá-lo) para caminhar ao encontro de Nossa Senhora, o terrível «peso» era cada vez maior e, com incrível força, prendeu-me ao chão! Todo a tremer, banhado em suores frios, com a língua enrolada dentro da boca endurecida, sentia-me sucumbir debaixo daquele medonho «peso» e aprisionado num laço implacável. Ao mesmo tempo, todo o meu ser, físico e intelectual, era trespassado por uma indiscritível e pavorosa agonia!
Cheio de terror, quis gritar. Julguei mesmo que gritava a pedir socorro, mas ninguém me ouvia, nem via o que me estava a acontecer! Eu ficara ali, no meio de tanta gente, «aprisionado» e «mudo»!...alma prisioneira, para me libertar daquela «prisão»! o meu sofrimento era atroz! Nunca o esquecerei. Ainda ho
A procissão era um sereno rio de luz, na noite escura e branda. Os peregrinos, com velas acesas diante dos rostos felizes, passavam rezando e cantando, com os olhos postos na suave Imagem da Senhora das pombas brancas... Desviam-se pacientemente de mim e continuavam sempre em frente!
E eu a debater-me, ali, angustiado, a lutar desesperadamente na minha pobre alma prisioneira, para me libertar daquela «prisão»! o meu sofrimento era atroz! Nunca me esquecerei. Ainda hoje estremeço quando nele penso! Posso afirmar que sentia e ouvia ranger os meus ossos. Tais eram os esforços sobre-humanos que fazia para me mexer e livrar daquela terrível prisão. Mas uma «força» incrível chumbava-me ao chão! E tudo foi inútil!
Não pude alcançar Nossa Senhora no seu andor branco e florido!
Jamais encontrarei as palavras próprias para dar uma pálida ideia do que sofri e do meu terror naqueles momentos!
Contudo, e apesar disso, eu ainda blasfemava, , a! Essa era a minha ânsia. Fugir dali!
Mas como, se eu estava «preso» e esmagado debaixo daquele «carrego» insuportável? Raciocinava, mas não era senhor dos meus movimentos. Oh! Que pavorosos momentos.
Lá longe, voltada agora de frente para mim, Nossa Senhora regressava em triunfo e rodeada de veneração e amor, à sua humilde Capelinha...
E foi então que senti, de súbito, que uma força poderosa e incrível me fazia virar para a Basílica, impelindo-me para a frente! Conheci que podia, enfim, fugir «àquilo» que pesava como chumbo sobre os meus ombros! fugir,gora só em pensamento, porque não podia falar.
Debatendo-me naquela medonha aflição e esmagado sob o insólito «carrego», comecei por fim a lembrar-me vagamente de que aquilo tudo podia ser castigo...
Mas, então, é porque eu estava enganado e ali é que se encontrava a VERDADE!?
Teimosamente resisi a este salutar pensamento! Apeguei-me com desespero aos erros antigos e ao despreezo que aprendera a sentir no Protestantismo pela Mãe do Senhor!
E, no meio desta espantosa luta, esforçava-me em vão por fugir! Essa era a minha ânsia. Fugir dali!
Mas como, se eu esva «preso» e esmagado ddebaixo daquele «carrego» insuportável? Raciocinava, mas não era senhor dos meus movimentos. Oh! Que pavorosos momentos!
Lá longe, voltada agora de frente para mim, Nossa Senhora regressava em triunfo e rodeada de veneração e amor, à sua humilde Capelinha...
E foi então que senti, de súbito, que uma força poderosa e invencível me fazia virar para a Basílica, impelindo-me para a frente! Conheci que podia, enfim, fugir «àquilo» que pesava como chumbo sobre os meus ombros! Fugir, alcançar um refúgio, libertar-me! Comecei a andar...
Tomando de grande aflição, vi-me a atravessar o Santuário... mas, conforme me aproximava da Basílica – ia para lá como que conduzido, sem pensar nem querer! – o meu andar tornava-se mais fácil...
Ao chegar à escadaria já a pude subir quase a correr. Meti como uma seta pela Basílica dentro, sempre a direito, como levado por vigoroso e irresistível impulso, e szó parei diante do Altar-mor, do lado do túmulo do Francisco, onde caí, enfim, de joelhos! Ali fiquei longos minutos, todo trémulo, com olhar vago, sem saber onde estava.
Poré, aquele horrível «peso» e aquela estranha «prisão» mostravam agora uma espécie de fraqueza... soltava-se-me a língua e eu balbuciei algumas palavras enquanto começava a ter consciência de tudo o que me rodeava e do que via...
E foi então que os meus pobres olhos dilatados de angústia... depararam com a bendita imagem da Senhora, ao lado do Altar. Súbitamente lúcido, fitei-A assombrado... e, (não me atrevo a afirmá-lo!) pareceu-me que a via sorrir-se para mim! E esse instante fiquei livre e completamente mudado.
Sim, foi nesse minuto de graça que eu senti a alma liberta do véu espesso do erro e o corpo daquela «prisão» maligna. Num relance dera-se o prodígio... apesar do meu ódio protestante contra as santas imaggens! A lição é digna de ser meditada...
A tremer, comovido, eu não tirava o olhar deslumbrado dAquele «Sinal» da misericórdia divina, sentindo que nascia de novo. Agora, o meu coração era manso e humilde, e eis que a orgulhosa cerviz do hereje se abatera diante d’Aquela que tanto desprezara e que todas as gerações aclamarão Bem-aventurada, pois o Omnipotente obrou n’Ela grandes maravilhas (c.1,48,49)

segunda-feira, 13 de julho de 2009

MILAGROSA CONVERSÃO EM FÁTIMA

S.C.J.

Introdução

Na segunda-deira passada fui visitar o meu antigo pároco, o Sr. Pe. José. Nessa ocasião, ele encontrava-se um pouco triste porque a irmã, que ao longo destes últimos 54 anos de sacerdócio o seguira para todo o lado e foram sua companheira, falecera vítima de doença prolongada. Andava então a juntar as coisas da irmã para deitar fora o que não seria mais útil e dar aquilo que ainda poderia ter alguma serventia.
Num dos baús, encontrou um livro que ele já não via á anos e que muito procurara. Qaundo já me vinha embora, ele chamou-me, foi ao quarto e disse-me: «Luís vou emprestar-te este livrinho e depois devolve-mo quando acabares de ler. Já ouviste falar em António de Sá? É sobre a sua conversão. Sabes que durante a procissão de velas ele acendia a vela e ela apagava-se?».
Ora esta conversa intrigou-me muito e hoje, Domingo, quando cheguei a casa, depois de ter ido dá uma volta, peguei nele e decidi lê-lo. Fiquei extremamente maravilhado com a história e prometi a mim mesmo colocá-la integralmente nos meus blogues na internet para comentário e para que todos fiquem a conhecer este homem do Alto Douro Vinhateiro e o seu grande testemunho.
Espero que todos os que lerem esta história gostem dela e a tenham como verdadeira e a divulguem. Que ela toque o coração de todos e que por ela muitos se convertam ou se deixem tocar pela Santíssima Mãe de Deus.

«A Milagrosa Conversão em Fátima de António de Sá
(Narrativa com a colaboração de M.A.) – Edições do Santuário – Leiria

Imprimatur – Leiren, 13 de Aprilis 1957
 José, Bispo de Leiria

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Esta pequena hitória verídica segue fielmente a narração [d]as palavras do próprio convertido. Quem escreveu cingiu-lhe o mais que pôde, sem lhe importarem primores literários ou de linguagem, que desfugurassem a sua manifesta sinceridade.
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Prefácio

Um conversão é um milagre da omnipotente Mesiricórdia de Deus, realizado, quase sempre, só no íntimo dos corações.
A minha conversão, porém, foi revestida de certos sinais exteriores, que o tornam de algum modo especial...
Devo-a à omnipotância suplicante de Nossa Senhora, Rainha do Rosário de Fátima.
Outrora, o meu coração foi arrastado pela dureza da impiedade e pelos erros de heresias malsãs. E assim A odiei e desprezei. Para muitos, isto parecerá coisa impossível a um cristão e português! Esses... guardem e defendam bem a sua Fé, e dêem muitas graças a Deus! Porque semelhante contradição é possível, desgaçadamente.
Aqui fica o meu testemunho doloroso, mas completo. Tudo quanto peço a Deus é que ele sirva para edificar os fiéis e esclarecer os enganados. Rogo especialmente por aqueles que eu próprio desviei da Verdade, arrastando-os comigo para os errados caminhos da separação e da divisão.

I – O PASSADO...

Chamo-me António de Sá e nasci a 29 de Maio de 1914 em Vilajusã, de Mesão Frio (Douro). [Actualmente Diocese e Distrito de Vila Real]
Meus pais, António e Margarida de Sá, hoje ambos falecidos, eram sinceramente religiosos, assim como a nossa família.
Aos nove anos e meio de idade fui trabalhar. O meu patrão era «maçon» confesso e declarado, como tantos outros, naquela época em que a Maçonaria chegara ao auge do seu temeroso poder na nossa Pátria. Segura da sua força, ela perseguia e tentava extinguir a Religião Católica entre nós e, para tanto, exercia sobre o povo a mais nefasta e profunda influência.
O meu patrão não perdia ocasião de transmitir aos seus empregados as suas ideias. Muito expecialmente atacava e negava tudo o que se referia à Igreja, da qual a seita maçónica é figadal inimiga.
Como é sabido, havia-se prometido e profetizado que, em duas gerações, o Catolicismo seria extinto no nosso País. Todos os esforços e violências foram realmente postos em prática com esse intuito.
Naquele tempo, em Portugal, eram públicos e notórios os crimes e malefícios que a Maçonaria praticava e espalhava.
Eu ouvia falar da sua acção e da sua força. Conhecia a história de um tio meu, Domingos de Sá, tambémcategorizado «maçon», muito conhecido em todo o concelho de Mesão Frio. Eram de arrepiar as terríveis blasfêmias que ele dia contra Deus, a SS.ma Virgem, a Santa Igreja e os Sacerdotes. este meu tio gabava-se, a quem o ouvia, de dever a sua fortuna ao poder do demónio e da maçonaria. com tudo isto, e sob estas tristes influências, cedo perdi a Fé, vindo a ganhar total aversão à Igreja. Odiava os Padres e fugia a todas as práticas religiosas. mas, afinal, estes tristes sentimentos estavam, então, bastante generalizados...
Ao mesmo tempo, fui tomado por uma grande ambição de riqueza, mesmo à custa da minha alma, se preciso fosse, tal como se contava do meu tio e de outros «maçons».
Quando, aos doze anos, fiz a Comunhão Solene, sómente devido aà fé e vontade de meus pais, já lhes causei um grande desgosto. Negava-me a juntar-me aos meus companheiros e a participar da alegria se, igual do mais lindo dia da nossa infância.
Desde aí, não voltei a entrar numa igreja nem tornei a rezar. Aumentou cada vez mais a minha aversão à Santa Igreja, aos sacerdotes e a tudo o que fosse religioso.
Quando, na Visita Pascal, o «Compasso» entrava na nossa casa enchendo a todos de satisfação, saía eu por outra porta, ou fechava-me num quarto a blasfemar, com o coração turvo de rancor e desprezo. Os meus queridos pais e a minha família sofriam com o meu procedimento, e eu escandalizava toda aquela boa gente.
Ouvia ainda contar casos de «pactos» com o Diabo, de sessões secretas a que ele presidia e outras histórias deste jaez. Na minha ânsia de enriquecer, novo e inexperiente como era – teria enão quinze ou dezaseis anos – ia, madrugada alta, pelos cerrados pinhais de São Martinho, chamando e invocando o maligno. Queria que ele me aparecesse para lhe entregar a minha alma em troca de riqueza e de poder!
Continuei nesta vida até aos vinte anos. Depois em 1934, vim para o Porto trabalhar, indo morar para Valbom.
Entretanto, em 1917, dera-se o Milagre de Fátima, e, com a vinda de Nossa Senhora, tudo se ia modificando na nossa terra.
De 1926 em diante, com a Revolução Nacional de 28 de Maio, a maçonaria fora banida e a sua maléfica influência começava a ser combatida eficazmente.
Porém, toda a Nação sofrera por muito tempo o seu nefasto influxo. A má semente frutificava...
Quanto a mim, a terra da minha alma estava preparada para o que se iria seguir...
Um dia, ao passar no lugar da Arroteia, ouvi uns cânticos que saíam duma casa aberta, a quem passava. Aquilo chamou-me a atenção. E perguntei... quando soube que eram «os protestantes» tirei, cá para mim, a conclusão de que se tratava de qualquer coisa contra a Igreja. Resolvi logo entrar! Julgava que fosse a maçonaria, que eu não esquecera e tanto desejava conhecer. Mas, agora, já não me era fácil encontrá-la, pelo menos às claras, como no tempo da minha infância.
Entrei, muito contente por ter ocasião de satisfazer a minha aversão à Religião Católica e realizar enfim os meus sonhos ambiciosos. Vieram logo ao meu encontro, sorrindo amávelmente, e ofereceram-me um livrinho para eu cantar também.
Por ignorância e curiosidade, alguns de entre nós são assim solicitados. Depois são levados para a heresia, através das várias pequenas seitas, que se esforçam por separar (e dividir) os Portugueses da verdadeira Fé. Muitos, mais tarde, cansam-se... e abandonam o «culto» protestante. Fica-lhes apenas... o cego preconceito que ali receberam contra a verdadeira Igreja.
Comecei, pois, a ler algumas linhas do tal livrinho que, aliás, me desiludiram, por me parecer que não se tratava afinal de maçonaria. Mas... fui ficando. Queria ver o que dali saia e se poderia tirar algum lucro material. E também fiquei porque logo lá encontrei a mesma aversão à Igreja, tal como eu a sentia e recebera da influência maçónica...
Durante o tempo que morei em Valbom, frequentei aquele «culto» protestante, cujo nome esqueci.
Estava ainda longe da Hora de Deus e eu tinha um longo e torto caminho a percorrer!...
Tempos depois, mudei-me para Avintes. Ali ouvi falar de outro «culto» diferente e das «ajudas» que dava aos seus adeptos. Logo me interessou...
Já não era a mesma «fé»... errava , portanto variava! Tratava-se agora dos Adventistas-Sabadistas, que são várias seitas. Estes eram os do 7.º Dia. Chamam-se assim, porque esperam para breve o Fim do Mundo e guardam o sábado como os Judeus, e não o Domingo – Dia da Ressurreição de Cristo, como guarda a Sua Igreja desde o primeiro século cristão.
Tanto na doutrina como nos «cultos» há muitas diferenças entre as seitas protestantes e grande rivalidade. Algumas das mais recentes – como os Adventistas, Pentecostais, Testemunhas de Jeová, etc. – são até chamadas «extravagantes» pelas seitas que apareceram anteriormente, a seguir à Revolta Protestante no século XVI.
Cada uma, porém, diz que é a verdadeira Igreja e que as outras são falsas ou estão em erro...
Por vezes, como pude testemunhar, chegam a discutir umas com as outras. E é vê-las, então, com as «suas bíblias em punho, provar cada qual a sua verdade e os erros das colegas, sobre pontos fundamentais da Fé.
Nestas ocasiões eu sentia-me bastante perplexo e pensava:«Estes afirmam uma coisa, mas aqueles já dizem o contrário...» Infelizmente, tratava logo de afugentar estes pensamentos. E, afinal, eram essas as únicas vezes em que eu vislumbrava a verdade e era esperto! Mas o demónio cega-nos...
Só num ponto estão todas de acordo: dizem que a Igreja Católica é falsa, apesar de ser precisamente a única que Cristo – Jesus, Nosso Redentor, fundou, e portanto, ser logicamente a Sua única e verdadeira Igreja, como Ele próprio lhe chamou: «A minha Igreja!».
Porque a verdade é que todas as seitas – desde o princípio do Cristianismo até agora – foram fundadas por simples criaturas humana que ou saíram (como foi predito!) da Igreja, ou duma seita para fundar outra seita.
Porém, pela Palavra de Deus – que é fiel! – ficou-nos a Sua Promessa de que «as Portas do Inferno não prevelacerão contra Ela».
Por isso, com o joio dos pecadores e o trigo dos justos à mistura, a Igreja Católica permanecerá a mesma até ao Juizo Final. A sua caridade não apaga a torcida que fumega... cada um dará justas contas na sua hora derradeira. O Senhor da Messe os separará e arrecadará o trigo no Seu celeiro e queimará a palha num «fogo inextinguível».
Mas, entretanto, Cristo ficará connosco e entre nós até à consumação dos séculos, porque o prometeu, e a Sua Palavra não passará.
Já assim procedeu o Senhor para com o Povo Escolhido: Com os seus justos e pecadores – dos Chefes ao mais humilde – fiel ou infiel, coberto de bênçãos ou esmagado sob castigo, foi sempre ele, e só ele o Povo da Promessa, até esta se cumprir com a vinda do Messias: Deus é fiel e verdadeiro!
Assim, também o Rebanho de Cristo, por Ele entregue a Pedro, permanecerá o mesmo até ao Fim.
O Bom Pastor conhece as suas ovelhas e separa os cabritos dos cordeiros...
Porque se arrogam, então, certos homens (e até mulheres) o direito de «reformar» e mudar a Obra de Deus, fundando outras «Igrejas», dividindo e suscitando divisões – negando assim a fidelidade da Palavra de Deus e dividindo Cristo?!
Este é o grande escândalo dado aos gentios pelos cristãos cismáticos e heréticos, sepradados da verdadeira Igreja. E «ai dos escandalosos»!
Não! Ainda não seria ali que eu havia de encontrar o que, sem o saber, há muito procurava.
No entanto, frequentei aquele «culto» durante seis anos. Mais tarde, surgiram nas mesma rua 5 de Outubro os chamados «Pentecostais». Por idênticos motivos passei a frequêntá-los, notando as diferenças de doutirna apesar de tudo. Mas, fiquei... e obriguei a minha companheira a ir comigo. Valha a verdade que ela a princípio não queria, e só foi com grande retulância.
Com o rodar do tempo, fui-me tornando «um bom elemento», assim o diziam o nosso «ministro» e os meus confrades.
Mais adiante, lá nos «casámos», e também fomos baptizados... como se o não tivéssemos sido já em pequenos!. Confesso que não esqueci aquela cerimónia... é que certas seitas protestantes julgam que o Baptismo, para ser válido, tem de consistir num mergulho total no rio ou num tanque especial. E assim nos fizeram a nós. Mas a água estava amornada...
Como lá era ponto de fé que não se pode usar ouro, a minha companheira deu os seus brincos para sustentação da seita.
A tudo nos sujeitámos... e às vezes tanto se recalcitra contra as verdadeiras «obras de Deus»!
Fui-me enfronhando de cada vez mais na heresia. Em dada altura, devido ao meu «fervor» e a uma singular facilidade de falar, comecei a ser mandado a fazer «pregações». Mas, na verdade, que estudos sérios e indispensáveis tinha eu da Sagrada Escritura e de tudo o mais que é necessário saber para ensinar e pregar sobre estes assuntos tão importantes e elevados? Pois, apesar disso, «preguei» por toda a parte! Bastava-me a minha própria inspiração...
E assim, sobre um ou mais versículos da Bíblia, «ensinava» eu no meio do povo, que me escutava ávido e crédulo. E por aqui se vê a credulidade, fácil de contentar... dos que aceitam ou buscam «doutrinas» fora da verdadeira Doutrina ensinada pela Igreja de Deus!
Preguei, pois, em Rio Tinto, Valbom, Carvalhal, Redondo, Carvalhido (Porto), Espinho, Mesão Frio e Avintes, onde sou bastante conhecido. Arengava ainda nos combóios, nas camionetas, nos «eléctricos» e em toda a parte onde a ocasião propícia.
Além disso, vendia e espalhava livros e folhetos, como propagandista fanático que era.
E falava, falava, falava!...

Depos da minha extraordinária conversão, nada encontro na minha excelente memória que «preguei».
Parece que de mim fugiu um demónio palrador e furioso, que me fazia despejar aqueles borbulhões de palavras!...
Porque eu afrontava e desafiava toda a gente! Até os sacerdotes, nas frequesias onde ia semear a minha cizânia e onde quer que os encontrasse a jeito.
Eu tinha pela cruz especial repulsa. Sempre que a via blasfemava com desprezo contra o sinal da nossa Redenção! É inconcebível? Mas, na heresia é assim!.
Cheguei a «dar culto público» na minha casa de Avintes, no Padrão, aonde acorria muita gente para me ouvir. Porém os meus chefes proibiram-me de «falar» assim, porque diziam, só o «culto» que eles promoviam devia funcionar. Por causa disto tomei certa atitude rebelde entre os «Pentecostais» e até fui lá castigado para me submeter.
Por pouco não nasceu ali também mais uma das tais «igrejas protestantes»... Afinal, era o mesmo direito de «livre exame» e de «inspiração». Todas as seitas nascem mais ou menos assim...

E sempre insatisfeito, agitado e agitando à minha volta, ainda experimentei novas seitas, passando por último a frequentar o Torne, em Vila Nova de Gaia.
Entretanto, uma coisa se enraizou profundamente na minha alma, mmais ainda do que os próprios erros da heresia: o cego preconceito, feito de calúnias e absurdos, que o Protestantismo professa e ensina contra a Igreja.
Por isso eu detestava-a, e a tudo quanto lhe diz respeito, com aquele característico e amargo zelo protestante.
Destaca-se neste «zelo» o desprezo e até raiva contra a Mãe de Deus.
Ah! Este é um dos aspectos mais tristes, incompreensíveis e de arrepiar das heresias protestantes, em geral.
Quando um católico renega a sua Fé e vai para o protestantismo, a si mesmo se torna órfão desta Mãe misericordiosa, pois ele a matará no seu coração atrofiado...
Os próprios Mouro ou Maometanos, que veneram, de certa maneira, «a M
Ãe de Jesus», são, neste ponto, superiores à maioria dos Protestantes, apesar de não serem adeptos de Cristo!
Assim eu, cego pela heresia, detestava «a Mãe do meu Senhor» (Lc.1,43). Especialmente quando ouvia falar nas suas aparições na Cova da Iria, ou dos milagres e maravilhas de Fátima!
Ah! Então, era ódio vivo e verdadeiro aquele fogo que se acendia na minha alma. Começava a lançar pela boca fora uma torrente de injúrias e blasfêmias. Ao ver passar para Fátima as peregrinações com o povo feliz a rezar e a cantar , eram um nunca acabar de imprecações contra Nossa Senhora e contra Fátima.
Pois havia de ser precisamente o Coração Doloroso e Imaculado de Maira, nossa Mãe bendita, que, misericordiosamente, me havia de levar à salvação.

(cont...)

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Resposta a 1 protestante (provisório - por editar)

J. M. J.
Sobre a Tradição Apotólica
Queridos irmãos, desde o início da cristandade que há divisões na Santa Igreja, muitas vezes (ou quase sempre) por razões absurdas (c.f. 1Cor.10), fruto da ignorância, da falta de oração, de discernimento e dos falsos profetas. É o São Pedro, o primeiro Papa, que nos alerta para esta questão pedindo-nos discernimento, pois «muitos falsos profetas aparecem no mundo»(c.f. 1Pe.4,1). É São Judas quem nos diz que esses impustores são como núvens sem água, «desenvergonhadas; astros errantes para os quais está reservada para sempre a mais tenebrosa escuridão» (c.f. Jd.12-13). Alerta-nos para os «impustores, (...) que são os que semeiam divisões, (...) pessoas que não têm o Espírito» (c.f.Jd.19) É preciso pois estarmos atentos, «pois o demónio, anda à vossa volta, como leão que ruge procurando a quem devorar.[Por isso, é urgente] Resisti-lhe firmes na fé» (c.f. 1Pe.5,8-9)
Os nossos irmãos protestantes, caídos no erro «dos falsos profetas que disfarçadamente introduziram heresias perniciosas» (1Pe.2,1) com frequência nos perguntam coisas para as quais não temos resposta, porque desconhecemos muitas verdades da nossa fé ou, porque na catequese ou nos grupos de piedade aos quais pertentecemos, temos ou tivemos uma formação mediocre, fazendo-nos também cair no erro. Estes, perguntam-nos onde se fala na Bíblia sobre a Imaculada Conceição, a Ascensão de Maria ao Céu, a ida de São Pedro a Roma ou o modo como morreu. Resumindo, para os protestantes só a Sagrada Escritura é única Revelação Divina enquanto que esta, juntamente com a Tradição Apostólica e dos Santos, também constitui Revelação Divina. E mesmo assim, para os protestantes, nem todos os Livros Sagrados da Bíblia Cristã (ou Católica) são válidos.
É bom lembrarmo-nos que foram os Apóstolos e os Bispos que receberam de Deus o múnus de serem pastores da única Igreja de Jesus Cristo, a Santa Igreja Católica, e que por isso, por inspiração divina, esses homens registaram e organizaram a Bíblia que nós hoje lemos, e ao longo dos séculos a anunciaram como Palavra de Deus. Aqueles falsos profetas, de quem falei, por vezes, até deturpam e omitem a Palavra, retiramdo-lhes o verdadeiro sentido, ao contrário dos Bispos, Prebíteros e Diáconos da Igreja que a anunciam tal como Ela é.
A Sagrada Escritura é a Palavra de Deus revelada à humanidade. Ao longo dos séculos, quiz Deus manifestar-se tanto por palavras como obras, revelando-nos o Seu projecto divino para a humanidade, ou seja, através da Sua Palavra «Manifestou-nos o mistério da sua vontade, e o plano generoso que tinha estabelecido, para conduzir os tempos à sua plenitude: submeter tudo a Cristo». (Ef.1,9)
O verbo ‘revelar’ veio directamento do verbo latino revelare (re-velo) que significa «dar a conhecer», «mostrar», «tirar o véu», «desnudar», «pôr a nú»: «Deus consilium suum revelavit» - Deus revelou o seu plano. Deus, revela-se à humanidade de duas maneiras:
1 – Pela chamada Revelação Natural;
2 – Pela chamada Revelação Sobrenatural ou Divina;
Pela revelação natural Deus revela-Se através criação. São Paulo, na sua Epístola aos Romanos, explica-nos que aquilo que se conhece de Deus «está à vista [do Homem], já que Deus lho manifestou. Com efeito, o que é invisível n’Ele – o seu eterno poder e divindade – tornou-se visível à inteligência, desde a criação do mundo, nas suas obras». (Rom.1, 19-20)
Pela Revelação Subrenatural ou Divina, Deus vai-Se revelando à humanidade quer por meio dos Patriarcas quer pelos Profetas e, na plenitude dos tempos, enviou ao mundo o Verbo (c.f. Jo.1), seu único Filho Nosso Senhor Jesus Cristo: «Muitas vezes e de muitos modos, falou Deus aos nossos pais, nos tempos antigos, por meio dos profetas. Nestes dias, que são os últimos, Deus falou-nos por meio do Filho, a quem constituíu herdeiro de todas as coisas e por meio de quem fez o mundo». (heb.1-2) Por Ele, Deus é dado a conhecer directamente aos homens, quer por palavras que por obras, sendo o maior o mistério da Paixão, Morte e Ressureição e com a vinda do Espírito Santo. Este Espírito dado à Igreja no dia de Pentecostes, fez com que esta Igreja se manifeste ao mundo e dê a conhcer Deus e a Mensagem Evangélica: «Quando chegou o dia de Pentecostes, encontravam-se todos reunidos no mesmo lugar. De reprente, ressoou vindo do céu, um som comparável ao de forte rajada de vento, que encheu toda a casa onde eles estavam.
Viram aparecer umas línguas, à maneira de fogo, que se iam dividindo, e poisou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar outras línguas, conforme o Espírito lhes inspirava que se exprimissem».(...) «Homens da Galileia, disse Pedro, e todos vós que residis em Jerusalém, ficai sabendo isto e prestai atenção às minhas palavras. Não, estes homens não estão embriagados como imaginais, pois apenas vamos na terceira hora do dia. Mas tudo isto é a realização do que disse o Profeta Joel: ‘Nos últimos dias, diz o Senhor, derramarei o meu Espírito sobre toda a criatura». (c.f. Act.2, 1-36) Esta fora a grande promessa de Jesus: «Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos». (cf. Mt.28,20) «E vou mandar sobre vós o que o meu Pai prometeu» (Jo.24,49). A partir do dia de Pentecostes os Apóstolos anunciaram ao mundo tudo aquilo que Jesus lhes havia ensinado e deram testemunho não só das palavras mas também das obras e dos milagres. Tudo aquilo que Jesus lhes ensinou chama-se Evangelho, que quer dizer «Boa Nova da Salvação dos Homens».
Para anunciar esta «Boa Nova», Jesus escolheu os Apóstolos (c.f. Mc. 1,16-18; Mt.4,18-22; Lc.5,1-11; Jo.1,35-51) e os seus sucessores (Act.6; 9) como Pastores da Igreja que Ele próprio fundara quando, antes da Ascensão» ordenou aos Apóstolos: «Ide pois, fazei discípulos de todos os povos, baptizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando a cumprir tudo o que vos tenho mandado» (c.f. Mt.2819) Nesta passagem, Jesus mandou «anunciar» e «pregar» o Evangelho e foi o que os Apóstolos passaram a fazer. Por todo o lado, como nos é narrado nos Actos dos Apóstolos, começaram a surgir comunidades que se reuniam frequentemente em oração e na Celebração da Santa Missa: «Eram assíduos ao ensino dos Apóstolos, á união fraterna, à fracção do pão e às orações(...). Como se tivessem uma só alma frequentavam diariamente o templo, partiam o pão em suas casas e possuíam tudo em comum» (c.f. Act.2,42-47). São famosas as Cartas do Apóstolo Paulo à comunidade de Roma, de Corínto, aos Gálatas e a tantas outras, assim como as Cartas de Pedro Tiago, João, e Judas o que demonstra a aceitação que o Evangelho tinha naquele tempo. Todas as comunidades da Igreja tinham uma organização, ainda que incipiante, mediante bispos, presbíteros e diáconos como nos relatam as cartas pastorais o que demonstra a necessidade de organização da Igreja crescente que tinha de sobreviver a todas as divisões e crescer na fé. Os Apóstolos confiaram-lhes o anúncio do Evangelho.
No princípio da Evangelização, não havia um registo escrito do Evangelho, porque Jesus nunca escreveu aquilo que disse, por isso, a evangelização dos povos era feita por ensinamento oral ou pregações. Assim o fizeram os Apóstolos. Só muito mais tarde, sobretudo com o desaparecimento dos Apóstolos, é que se começou a registar a palavra e os actos do Apóstolos. Foi assim que surgiu a «Tradição Apostólica», ou seja, a transmissão do Evangelho de Jesus, os discursos, as obras e exemplos, o modo de rezar, os sacramentos e o modo de agir e viver. Estas eram as tradições que os apóstolos preservaram e transmitiram às diferentes Comunidades da Igreja «como testemunhas oculares» (c.f. 2.Pe 16-18.. Na carta aos Coríntios o Apóstolo São Paulo refere-se a ela: «Eu recebi do Senhor o que também vos transmiti» (cf.1.Cor11,22).
Durante muitos anos, a Igreja nunca teve propriamente um “Novo Testamento”, só muito mais tarde, depois de terem sido redigidos os Evangelhos, os Actos dos Apóstolos e compiladas as Cartas, é que foi anexado, por inspiração divina, à Sagrada Escritura. Até aí era apenas uma «Tradição ‘Oral’ Apostólica». Esta nova parte da Bíblia, que deu origem ao Novo Testamento, é a parte mais importante de Toda a Bíblia mas, em si mesma, não contém tudo aquilo que Jesus ensinou, sómente o mais importante, como o próprio Apóstolo João nos dá a conhecer no final do seu Evangelho: «Há ainda muitas outras coisas que Jesus fez. Se elas fossem escritas, uma por uma, penso que o mundo não teria espaço para os livros que se deveriam escrever» (c.f. Jo.21,25).
Por tudo isto, é completamente errado dizer-se que a Revelação Divina chegou a nós somente pela Bíblia, não, veio até nós também pela Tradição Apostólica. Ambas são fontes de vida mas uma não faz sentido sem a outra. Porque em si mesmas contêm a Verdade e a Palavra de Deus. Além disso, a própria Sagrada Escritura indica que a Tradição tem como funfamento a fé: «praticai tudo o que aprendestes e recebestes como herança, o que ouvistes e o que aprendestes em mim» (c.f. Fl.4,9) «O que ouviste de mim na presença de muitas testemunhas, tansmite-o a homens de confiança que, por sua vez, estejam em grau de o ensinar a outros»(c.f.2Tm.2,2), «Irmãos, permanecei firmes e conservai as tradições que vos ensinei, as de viva vós ou por meio da nossa carta» (c.f.2 Ts.2,15) Tudo isto é revelador do modo como São Paulo e os seus companheiros instruíam os primeiros cristãos: com a Palavra e com a Tradição ou pregação oral mas, uma vez escrito o Evangelho, não se esgotou a Tradição Oral Apostólica como se se estivesse terminada a Revelação Divina, não, ela continua com a Pregação e os Ensinamentos do Papa e dos Bispos a ele unidos e dos Santos por meio do Espírito Santo. Ora se os Apóstolos, os Bispos, os Presbíteros e os Diáconos receberam o Espírito de Deus quer no Crisma quer no dia da sua ordenação, porque não serão eles meios de Revelação Divina se o Espírito Santo que é Deus os impele a anunciar a Boa Nova e a explicá-la a quem a ouve? Na nossa Igreja sempre houve esta consciência de que a Tradição Apostólica não tira à Bíblia valor algum, antes pelo contrário, valoriza-a.
A ideia de só se acreditar na Bíblia é um tremendo erro surgido no séc. XVI, precisamente em 1550, com Lutero e os seus seguidores, colocando de parte a própria revelação feita por Jesus nas aparições aos Santos e nos ensinamentos dos seguidores dos Apóstolos. Ao Papa deu o Senhor o poder de perdoar os pecados e de apascentar as «ovelhas» (vide Jo.21,15-23) e foi o próprio Jesus quem também mandou os Apóstolos ensinar e baptizar as nações (vide Mt.28,19).
Se os protestantes sabendo que receberam a Bíblia pela Igreja Católica, que foi Ela quem a traduziu e durante séculos e a ainda hoje a continua a estudar e a ensinar, que estabeleceu o cânone dos Livros Sagrados, como poderão então saber quais os livros inspirados ou válidos? Supomos que a Bíblia se perde, quem teria a verdade, toda a verdade se não a Igreja Católica, a única que continua fiel à Tradição? A Igreja voltaria a escrever a Bíblia segundo a Traição Apostólica tal e qual como aconteceu antes nos primeiros tempos do cristianismo. Ao negar a Tradição Apostólica estão a diminuir a Sagrada Escritura e a negar a própria Escritura, pois foi São Paulo quem disse aos Tessalonissences: «Permanecei firmes e conservai as tradições que vos ensiná-mos de viva voz ou por meio da nossa carta» (2Ts.2,15)
Para concluir, podemos e devmos dizer que a Revelação Divina engloba a Sagrada Tradição e a Sagrada Escritura como depósito da fé (cf. 1Tm6,20; 2Tm.1,12-14) e foi confiado pelos Apóstolos à Santa Igreja. Cabe unicamente ao clero interpretar correctamente a Palavra de Deus, oral e escrita pois exercem esse ministério em nome e por ordem de Nosso Senhor Jesus Cristo. Segundo a Tradição Apostólica e a Sagrada Escritura, esse ministério foi entregue aos bispos em comunhão com o Papa, sucessor de Pedro e que é o Bispo de Roma e de Toda a Igreja.
No magistério em si, não está acima da Revelção Divina mas ao seu serviço para de uma forma verdadeira ser transmitida aos fiéis, com a assitência divina do Espírito Santo, que confirma o mandato de anunciar a «Boa Nova», e cabe à Igreja escutar e acolher pia e devotamente a Palavra, guardá-la e explicá-la aos fiéis.
Os fiéis que a ouve, ouve a Deus (Lc.10,16), e acolhem com submissão os ensinamentos e as directrizes dos pastores a quem foram confiados por Deus, sendo estes os seus guias e defensores, pela qual «nenhuma profecia da Escritura provém de interpretação particular»(2Pe.1,20).

domingo, 28 de junho de 2009

J.M.J.

«Porque os pastores foram uns insensatos e não procuraram o Senhor. Por isso foram mal sucedidos, e todos os seus rebanhos foram dispersos». (Jer.X, 21)

No dia 25 de Dezembro de 1961, Sua Santidade o Papa João XXIII, pela Constituição Apostólica “Humanae Salutis”, convocou o Concílio Ecuménico Vaticano II. A 2 de Fevereiro de 1962, pelo motu proprio “Concilium”, Sua Santidade determinava que este teria início no dia 11 de Outubro seguinte. Começou então uma longa caminhada em que os padres conciliares, deixando-se influenciar por gente de espírito gentio, herético e apóstata; aprovaram um conjunto de reformas que enfraquecem a Única e Verdadeira Igreja de Cristo. Até o próprio Vigário de Cristo na terra, e os seus sucessores caíram na mesma tentação com o intuito de “abrir” a Igreja ao mundo. Quão falaciosa é esta ideia quando a Igreja tem que abandonar as coisas do mundo para se santificar. Não é das coisas do mundo que adevém o pecado? Não porcausa das coisas do mundo que o Homem se deixa corromper?
Qual foi o resultado da reforma conciliar? Os seminários esvaziaram-se, cada vez mais sacerdotes abandonam o sacerdócio e ou entregam-se às coisas do mundo; as igrejas esvaziaram-se; falta de fervor religioso. A catequese deixou de o ser; a liturgia perdeu o seu significado, beleza e austeridade; os templos sagrados são continuamente profanados; os confessionários deixaram de existir ou estão às moscas; os púlpitos foram deitados abaixo em algumas igrejas e noutras servem de espaço de arrumos. O erro tomou conta da Igreja, dá-se demasiada importância ao ecumenismo e muitas mais coisas. São Pio de Pietrelcina bem avisou pedindo que não se realiza-se o Concílio. A Igreja foi invadida por uma lepra aviltante e corrosiva vivendo publicamente e abertamente com o mal que nela penetrou. É necessária uma mudança rápida e radical.
Olhemos para o exemplo da nossa pátria. Que pastores temos? Se uns são libertinos outros por infelicidade nossa são fracos. (Deus me perdoe por falar assim dos nossos bispos). Quando vemos Sua excelência D. Carlos de Azevedo a defender uma nova postura da Igreja para com os homosexuais ou Sua Excelência o Bispo Castrense da Forças Armadas e da Segurança falar em Sacerdócio ministerial de mulheres não nos leva a questionar se serão bons ou maus bispos? Estes pecam por falta de sensatez e de discernimento. E que pensam os outros Domini? Muitos certamente não gostam destas ideias mas porque não os corrigem? Porque não defendem a Verdadeira Doutrina? São uns fracos! Tanto é ladrão o que vai à horta como o que fica à porta porque ao calarem-se tornam-se cumplices daqueles.
São João Evangelista, na sua Primeira Epístola, diz-nos para não acreditarmos «em todo o espírito» (Jo.IV, 1-6) e para colocarmos «os espíritos à prova, para ver se são ou não de Deus, porque vieram ao mundo muitos falsos profetas» (ib.), mas infelizmente, muitos que foram chamados para darem testemunho da verdade deixaram-se corromper e deixaram de anunciar a verdade. Por isso, Deus me perdoe ao dizer isto, mais parecem ser «o anticristo» (ib.), homens que se deixaram enfeitiçar pelas coisas do mundo, e «por isso, falam inspirados pelo mundo, e o mundo escuta-os. Nós somos de Deus. Quem conhece a Deus escuta(…) [os verdadeiros pastores de Deus porque sabem que estes vêem de Deus], quem não é de Deus não [os] escuta. Por isso conhecemos o espírito da verdade e o espírito do erro» (ib.) tantas e tantas vezes vemos este espírito em alguns dos nossos bispos e cardeais como em Sua Eminência o Cardeal Patriarca de Lisboa e em tantos outros que põem constantemente a Igreja e os seus ensinamentos à prova.
Eles criticam-nos, a nós católicos apelidando-nos de antiquados, esquecendo-se que a verdadeira Doutrina é aquela que vem do passado e que é e será sempre actual, e essa mesma Doutrina foi transmitida primeiro pelos Santos Profetas e depois pelo Próprio Deus em Nosso Senhor Jesus Cristo deixada como Santíssima Herança aos Santos. Sensuram-nos por criticarmos as suas posições mas esquecem-se dos ensinamentos do São Paulo que exortava a Timóteo (palavras essas que entendemos também aplicarem-se a cada um de nós): «guarda o depósito, evitando discursos vãos e profanos e as contradições de uma falsa ciência, pois alguns, por a terem professado, afastaram-se da fé». (I Tim.VI,20) E quem guarda o Depósito da Fé gurada-o como se de um tesouro precioso trata-se e fá-lo contra os bandidos que o procuram roubar. Eles são uns orgulhosos que nada sabem, que ensinam coisas sem prestarem «atenção às palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo e à doutrina conforme à piedade» (Itim.VI,3), ocupam-se de questões e contendas de palavras movidos pela inveja, insultos, blasfémias e más suspeitas, são homens de pouca inteligência, com uma inteligência currompida e privados de verdade. (ib.4-5). Também é sobre eles que falava o Grande Santo Apóstolo, palavras que depois foram usadas no Concílo Vaticano I: «repreende diante de todos, os presbíteros que pecam, a fim de que os demais temam». (ib.V, 20).
É vergonhoso aquilo que alguns bispos alemães dizem da Fraternidade de São Pio X, por altura da ordenação de alguns seminaristas num seminário alemão, como nos é testemunhado em Casa de Sarto. «Felizes de vós, quando fordes insultados por causa do Nome de Cristo; isso significa que o Espírito da glória, o Espírito de Deus repousa sobre vós. (…) Se alguém sofre como cristão não se sinta envergonhado; mas glorifique a Deus por ter o nome de Cristão». (I.Ped.IV,14,16). Estes irmãos, que continuam fiéis à Sadia Doutrina dos Santos e que reconhecem Sua Santidade Bento XVI como Vigário de Cristo na terra e sucessor de São Pedro, sofrem por serem verdadeiros cristãos e por permanecerem fiéis, são benditos porque procuram permanecer em Deus. Eles bem podem dizer «recebemos d’Ele tudo o que pedimos, porque observamos os Seus mandamentos e fazemos o que Lhe é agradável». (I.Jo.III, 22) Esses bispos movidos pela vil inveja, ameaçam esses verdadeiros fiéis com a excomunhão. Tomara os seus seminários terem tantos seminaristas como têm os da FSSPX e terem tantos candidatos às sagradas ordens. As igrejas da Fraternidade, por aquilo que eu vi e pelos testemunhos que encontrei, estão sempre cheias ao Domingo enquanto que na maior parte das outras comunidades estão quase sempre vazias. Isto é sinal de que alguma coisa está a mudar, embora lentamente, e isso assusta muita gente.
Este sucesso da Fraternidade que faz com que muitos se voltem para ela, é fruto da preseverança na oração. Não há organização, instituto, congregação ou o que for, que na Igreja Universal tenha tido um crescimento tão grande em número como o da FSSPX. Por isso, todos aqueles que acreditam não deixem de preseverar na oração e no anúncio da verdade sempre tendo em vista o bem de todos. Assim, na esperança e na caridade, Nosso Senhor Jesus Cristo nos confortará e nos concederá o bem que pedimos.
Com sincera alegria reconheço o papel que esta Fraternidade tem tido ao fumentar cada vez mais vocações sacerdotais e religiosas assim como na isntrução do seu clero que, comparada com outras instituições, como universidades e institutos de teologia, os ultrapassa em todos em excelência e qualidade.
Que a Virgem Maria cubra com o seu manto protector os novos clérigos, os seus formadores e superiores.

sábado, 13 de junho de 2009

Sagrada Comunhão


J. M. J.


«Eu sou o Pão da vida. Quem vem a mim não mais terá fome e quem crê em mim jamais terá sede». (Jo.6, 33c)

O Rei David, meditando nas obras que o Senhor fez ao longo dos séculos, cantava os feitos de Deus deste modo: «Grandes são as obras do Senhor»(sl.110,2), e continuava o canto louvando a bondade de Deus: «O Senhor é benigno e misericordioso, deixo-nos o memorial das suas maravilhas»(ib. Cf.4). Ele profetizou a grande dávida, aquela que encerra em si mesma todas as maravilhas divinas, prova do Seu amor infinito: «O Senhor deu alimento àqueles que O temem» (ib.cf 4-5). Como acabámos de ver, o Rei – Profeta anuncia e axalta a Santa Missa que ainda desconhece, pela qual Jesus se torna presente em Corpo e Sangue, Alma e Divindade, tal e qual está no Céu, escondido sobre as aparências de pão e vinho, no Sacrário das nossas igrejas, para alimento da nossa alma. Esta é realmente a grande maravilha, ‘o memorial’.
Mas muito antes de David, o nosso pai Abraão teve um vislumbre da Santa Missa quando, por «aqueles dias, Melquisedec, rei de Salém, touxe pão e vinho». (Gen.18).
Esta passagem da Sagrada Escritura não é mais que uma antevisão do futuro: Jesus Sumo Sacerdote sacia os seus soldados no cenáculo, na cidade de Jerusalém, instituindo a Santa Missa e ordenando-lhes que a celebrassem sempre e em Sua memória. Recordemos esse momento: «Jesus tomou o pão e, depois de pronunciar a bênção, partiu-o e deu-o aos seus discípulos, dizendo: «Isto é o meu corpo». Em seguida, tomou um cálice, deu graças e entregou-lho, dizendo: «Bebei dele todos. Porque este é o meu sangue, sangue da aliança, que vai ser derramado por muitos, para perdão dos pecados». (Mt.26,26-28) É sempre bom recordar estas palavras.
A Santa Missa foi anunciada ao longo dos tempos pelos profetas mas só em Cristo teve concretização. Um outro sinal da Santa Missa encontra-se no segundo livro do Pentateuco quando o povo hebreu, libertado da escravidão do Egipto, atravessava o deserto em direcção à Terra Prometida e Deus fez chover do Céu o maná que é, em sentido figurado, a imagem do Pão Eucarístico: «pela manhã, diz o Senhor, saciar-vos-ei de pão, e conhecereis que eu sou o Senhor, vosso Deus». (Ex.16, 4) Pela Sagrada Escritura ficamos a saber, relativamente ao maná, que era uma substância insossa (cf.Nm11, 4-6; 21,5), um manjar delicioso oferecido por Deus (cf. Sl. 1005,40; 78,24-25; Ne.9,15-20; Sb.16,20-21), simbolizando para os cristãos a Santa Missa (cf.Jo.6,26-58; 1Cor10,3).
No dia a seguir àquele em que Jesus caminhara sobre as às do Lago da Galileia ou Tiberíades, o Senhor faz um grande anúncio, sinal do Seu Coração Misericordioso ao falar na Sua presença no sacramento eucarístico sobre a aparência de pão: «Eu sou o pão da vida. Vossos pais comeram o maná no deserto e morreram. Este é o pão que desce do céu, se alguém comer deste pão viverá eternamente, e o pão que eu hei-de dar é a minha carne, pela vida do mundo». (cf. Jo.6, 26-58) Mas os judeus escandalizaram-se com as palavras de Jesus porque não O compreendiam. Para eles, as palavras do Senhor Jesus quereriam dizer que para ter a vida seria necessário esquartejá-Lo e comê-lo, muitos que O seguiam abandonaram-no chamado-O de louco. Mas que fez Jesus? Retratou-se? Não, antes pelo contrário, confirmou as Suas palavras dizendo: «Em verdade, em verdade vos digo, se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue não tereis a vida em vós» (cf. Jo.6, 54) «A minha carne é verdadeira comida e o meu sangue verdadeira bebida» (cf. Ibidem, 54)
No cenáculo de Jerusalém, poucas horas antes da Sua paixão, morte e ressurreição; Jesus encontra-se reunido com os doze discípulos para celebrar a páscoa dos judeus (cf. Jo. 13; Mt.20; Mc.10, Lc. 22), pegou numa toalha e ajoelhando-se lavou os pés aos seus discípulos (cf. Jo.13) como que preparando-os para a primeira Santa Missa e para a primeira Comunhão do Seu Corpo e Sangue. Ele tomou o pão e o vinho, abençou-os e deu aos seus discípulos, como vimos mais acima (cf. Mt. 26, 26-28). Jesus quis que isso se repetisse para sempre para ficar a viver em nós. Todo aquele que receber a Santa Hóstia recebe em si o Corpo e o Sangue, a Alma e a Divindade de Nosso Senhor como está no Céu, tornando-se um sacrário vivo e ambulante. Sempre que comungamos ocorre entre nós e o Senhor uma íntima união tornado-nos com Ele um só. São Cirilo de Jerusalém comparava esta união com Jesus Sacramentado como dois pedaços de cêra que se derrete para formarem um só pedaço: «Se se derreterem juntos dois pedaços de cêra de ambos se faz uma só coisa, assim participando nós no Corpo de Jesus Cristo e do seu preciosissimo Sangue, Jesus está em nós, e nós estamos em Jesus; a nossa alma torna-se com Jesus Cristo uma mesma alma, nosso corpo torna-se com Jesus Cristo um mesmo corpo». Como São Paulo nos diz, já não somos nós que vivememos mas é Cristo que vive.
Na instiuição da Santa Missa, Jesus deu-nos prova do seu amor. Para Ele não bastou incarnar no seio puríssimo da Virgem, não bastou a sua paixão, morte e ressurreição; não, Ele quer ficar connosco, viver em nós, ser nosso alimento. Quis dar-se continuamente nos nossos Altares, por nós seus filhos miseráveis para fazer de nós santos mas santos irrepreensíveis.
Por vezes invejamos alguns santos que tiveram a graça de receber a visita do Menino Jesus e de O apertar junto ao peito, como o fez Santo António e São Francisco de Assis e tantos outros. Mas tal como eles, recebemos em nós o Corpo vivo e verdadeiro de Jesus Cristo, como está no Céu, podendo guardá-Lo no nosso coração. Que infelizes são os protestantes que não têm acesso a tão maravilhoso mistério... Eles não sabem que podem ser, tal como nós, templos de Deus(1.Cor.2,16). Quanto a nós, fiéis à única e verdadeira doutrina, não expulsemos Deus dos nossos corações.
A Santa Missa é como uma árvore plantada na Igreja, árvore de vida eterna que dá frutos de vida que sustentam a nossa vida, a enche de esperança, que nos regenera. Poderá alguém deixar de comer? A privação de alimentos conduz-nos à morte, do mesmo modo, todo o cristão que não se alimentar do Pão da Vida acaba por enfrequecer a sua alma, condenando-a à morte. Assim como o corpo não vive sem alimento, também a alma não pode viver sem a Sagrada Comunhão, que nos preserva do pecado e da morte eterna. Por ser um sacramento tão precioso devemos cuidar de o receber bem.
II Parte – Disposições para receber bem a Sagrada Comunhão.
Falarei apartir de agora sobre as disposições canónicas para receber bem a Sagrada Comunhão:
Jejum Eucarístico
Atitude modesta e recolhida
Estar na Graça de Deus
Saber O que se vai receber
Jacob, que passara por Betel, ao fugir de Esaú, regressa a Betel lugar onde vem cumprir o seu voto (Gen.28,10-22), constrói aí um Altar ao Deus Altíssimo para ali oferecer um sacrifício agradável. Reune todos os que o acompanham e diz-lhes: «Fazei desaparecer os deuses estranjeiros que estão no meio de vós; purificai-vos e mudai de vestes» (Gen.35,2). Aquilo que o Patriarca ordenou aos seus companheiros, antes de erguer o Altar para o sacrifício, é o mesmo que é ordenado a todos os que se apresentam para comungar, ou seja, que se purifiquem dos seus pecados, que se preparem espiritualmente para o que se vai receber e fazer.
Jejum Eucarítico.
O Jejum Eucarístico é a abstinência de todo o alimento sólido ou bebida alcoólica até três horas antes da comunhão, ou nenhum alimento líquido ou bebida alcoólica até uma hora antes, excepto a água que não quebra o jejum eucarístico. Esta condição é obrigatória.
Atitude modesta e recolhida.
A atitude modesta e recolhida é, nem mais nem menos, que o modo como vamos vestidos à Santa Missa e nos apresentamos para receber a Jesus Sacramentado, com roupa limpa e decente, sem descuidos e nem vaidade e também o estado de espírito com que nos apresentamos.
No dia 14 de Junho realizou-se na minha terra a primeira comunhão (comunhão solene) e a profissão de fé. Reparei que algumas pessoas iam vestidas indecentemente à Santa Missa, com vestidos muito decotados e quase transparentes e apresentaram-se assim à Sagrada Comunhão como participaram da Procissão do Corpo de Deus desse modo (aliás essa procissão foi muito mal organizada!). Hoje, nas igrejas, permite-se quase tudo e todo o tipo de vestes é próprio para ir à Santa Missa quer por parte das mulheres quer por parte dos homens. Esse tipo de veste ofendem a Deus.
Estar na Graça de Deus e Saber o que se vai fazer.
O que significa estar na graça de Deus? Significa ter uma alma pura e limpa de todo o pecado, principalmente do pecado mortal. Todo aquele que tem um pecado mortal não se acha na graça de Deus, por isso não pode receber a Sagrada Comunhão. E, todo aquele que comunga comete um sacrilégio. Comungar a Deus em pecado é trair a Deus como Judas fez (Jo.13; Mt.26, 20-25; Mc.14,17-21; Lc.22,21-23). Judas eram um discípulo que Jesus escolhera para O seguir e para que desse testemunho da Verdade mas este deixou-se influenciar pelo mal. Ele era ladrão, como nos dizem os santos Evangelistas (Lc.12; Mt.26,6-13; Mc.14,3-9), vendeu o Senhor por 30 dinheiros acabando por se suicidar; também Pedro, o Primeiro Papa, negou o Senhor Jesus (Jo.18, 15-25; Mt.26,59-68; Lc.22,55-57) e ambos, depois de terem sido avisados da traição, comungaram na Última Ceia (Mc.14,22-26, Lc.22,14-20); Jo.6,51-59; 1Cor.11, 23-27). Apesar de ter negado o Senhor, Pedro foi perdoado e Judas não.
Paulo de Tarso, na sua primeira Epístola aos Coríntios, faz uma advertência contra a recepção indigna do Pão e do Vinho que são a presença real do Senhor Jesus sacramentado: «Todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será réu do corpo e do sangue do Senhor». (1.Cor.11, 27).
Não deixemos de nos confessar sempre que podermos. Que Deus nos conserve a todos longe da Comunhão Sacrílega! E antes de cada Comunhão, não deixemos de examinar bem a nossa consciência para ver se no achamos em pecado capital (ou mortal) e façamos também, junto do nosso confessor, uma boa confissão. Mais uma vez é São Paulo quem nos diz: «Examine-se cada um a si próprio e só então coma deste pão e beba deste vinho». (ib.,28) Caso contrário «come e bebe a própria condenação». (ib.)
Quem comunga em pecado mortal condena-se e tem a condenação eterna como vimos acima nas palavras do Apóstolo. Na antiga Grécia, quem alguém era sentenciado à morte, era obrigado a engolir a sua condenação escrita num papel. Assim acontece com aquele que comunga idignamente, come também ele a sua própria condenação...
Mais uma vez, a minha terra, é um mau exemplo. O meu pároco dá a Sagrada Comunhão a uma senhora divorciada, que se casou simplesmente pelo civil, e que actualmente vive junta com um homem. Outro problema é que também ele dá a Sagrada Comunhão a algumas pessoas que frequentam as buxas e que também fazem rituais de bruxaria. Tal sacerdote, juntamente como essas pessoas, comete um sacrilégio. Diz Santo Afonso de Logório: Indigne conflicit, indigne sumit, indigne ministrat, ministrat indigno. Um padre, que celebra em estado de pecado mortal, não comete somente um sacrilégio, come quatro, como diz o Santo, e de espécies diferentes: consagra, sendo inimigo de Deus, o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo; recebe, estando morto e manchado, um sacramento de vivos e o mais santo dos sacramentos; administra-o a um indigno, quando o seu cargo de guarda das coisas santas o obriga a recusá-lo. (Theol.mor.1, VI, n.º 25).
«No santuário, no altar, no lugar mais santo do universo, ali onde a caridade de Jesus Cristo se mostra mais terna e generosa para connosco; no momento em que se sacrifica por nós, em que pede seu Pai que nos encha de benefícios; no acto religioso mais próprio por si mesmo para dar a glória a Deus e alcançar a felicidade do mundo! Que contradições neste horrivel atentado! Um padre profanador, um sacrifício sacrílego, a suma bondade junta à sua preversidade, suprema honra de Deus unida no último excesso da sua desonra; finalmente, se nos é permitido dizê-lo, o mesmo demónio consagrando o corpo do Filho de Deus! Ex vobis unus diabolus est. (Contudo, um de vós é o diabo. (Jo.6,73) Oh! Quão fácilmente nos compadeceríamos da aflição de Jesus Cristo, se considerássemos com atenção este espectáculo de horros para o Céu, de assombro para a terra, de alegria para o inferno, a abominação da desolação em pé, no lugar santo. (Mt.24,15) (Meditações Sacerdotais ou O Padre Santificado pela Oração, XXXV)

domingo, 7 de junho de 2009

Testemunho...


No dia 14 de Maio deste ano, por volta das 17h, um agricultor mais a sua mãe estavam a trabalhar na sua vinha. O filho encontra-se num extremo da vinha e a mãe noutro. Era um dia ventoso. A mãe desse agricultor andava a apanhar o resto das vides e chegou-lhes o fogo. A vinha tinha erva seca no chão e o vento começou a soprar forte, nisto o fogo ateou-se à palha seca e começou a arder. O rapaz precipitou-se a apagar o fogo e, vendo que algumas videiras ardiam sob a impotência dos agricultores e não havendo quem os ajudasse a apagar as labaredas que se espalhavam pela vinha, o rapaz invocou a Santíssima Trinadade esperançoso de que Deus os axiliasse para que o seu sustento não fosse destruído. Passados 10 min, segundo o rapaz, todo o fogo se estinguiu e apenas 30 videiras arderam, apesar do vento forte que se fazia sentir. Para ele, a Santíssima Trindade que hoje se celebra concedeu-lhe esta graça.